Arquivo de abril, 2007

Sabe aquele sal grosso da conserva do limão marroquino? Não jogue fora! Quando você transferiu os limões pra outro pote, sobrou aquele sal misturado com o suco de limão. Parte dele virou quase uma geléia, com um cheiro incrível. Porque desperdiçá-lo? Vamos inventar uma receita que não tem nada de marroquina.

Compre um belo peixe pra assar no forno. Eu escolhi um Cambucu branco, que tem um sabor muito delicado e não tem espinhos pequenos. Uma Tainha também deve fazer um bom serviço. Limpe e lave bem o peixe. Esfregue ervas finas (salsa, coentro, dill, manjericão, etc.; você encontra misturas prontas no supermercado) por dentro e por fora do peixe.

Forre uma assadeira grande com papel alumínio (o principal objetivo do papel é facilitar a limpeza depois!) e despeje metade do sal aromático. Coloque o peixe sobre o sal. Coloque um gomo do limão em conserva dentro do peixe, e passe um fio de azeite por todo o interior. Cubra o peixe com o restante do sal, e feche o alumínio, formando um pappillote. Aproveite os lados da assadeira para assar batatas bolinha com casca, lavadas e escovadas. Regue as batatas com azeite. Depois de uns 40 minutos de forno você vai sentir um aroma incrível. Abra o pappillote, quebre delicadamente a pedra de sal que se formou, e transfira o peixe para uma travessa e decore com as batatas. Voilá!

Sena

Limões Marroquinos

No começo deste ano assisti um programa sobre o Marrocos no National Geographic Channel. Uma das cenas que mais me chamou a atenção foi um passeio no mercado árabe, com todos os temperos, especiarias, frutas secas. Quase dava pra sentir o cheiro pela TV…

Um convidado do reporter começou então a preparar um frango no tagine (uma panela local), e usou uma conserva de limões aromáticos. Pois bem, preparei minha conserva naquela época, e a usei pela primeira vez ontem. Prepare a sua conserva, e enquanto isso eu terei cerca de um mês pra adaptar uma receita de frango no tagine.

Compre uns belos limões sicilianos, aqueles grandões e aromáticos. Para suavizar a casca, deixe os limões de molho na água por três dias, trocando de água todos os dias. Corte os limões em gomos, até mais ou menos dois terços da altura, sem desmembrar. Encha cada limão de sal grosso e feche-o. Pegue um pote de vidro com boca larga e encha o fundo de sal grosso. Aperte os limões no pote, deixando o suco escapar. Vá intercalando os limões e mais sal grosso, tentando eliminar todo o espaço livre. O ideal é que o suco do limão se misture ao sal e cubra os limões. Se você gosta de pimenta, experimente colocar uma bem no meio do pote. Deixe o pote em um lugar escuro e seco (junto aos seus vinhos, por exemplo), por pelo menos um mês. Sacuda o pote uma vez por semana.

Depois de um mês ou mais, transfira os limões para outro pote menor e descarte o excesso de sal. O cheiro é incrível. Para usar os limões, lave-os para retirar o excesso de sal e o bagaço, se preferir; o importante é a casca. Sugestão: coloque uma fatia dessa casca no blood mary, ou outro drinque.

Eu falei pra jogar fora o sal? Não, espere aí, tive uma idéia… mas fica pra amanhã.

Ahn? Pois é, também achei que uma coisa não tinha nada a ver com a outra, até estudar melhor o assunto. Vivendo e aprendendo.

Tudo começa em 1929 (ahn de novo?!), na grande quebra da bolsa. O governo americano criou legislações para a separação de informações entre os operadores de investimento e os brokers. O objetivo é evitar a troca de informações privilegiadas, para evitar o conflito de interesse entre a análise objetiva de empresas e o lançamento de ações no mercado para levantamento de capital. Antes, eu poderia fazer o lançamento de ações da empresa ACME, e ao mesmo tempo recomendar aos meus outros clientes que comprassem ações da ACME. Bem, a gente já sabe no que deu isso… Em lugar de proibir um mesmo banco de atuar nos dois segmentos, o governo preferiu criar o que é conhecido como “Chinese Walls”.

O termo “Chinese Walls” pode tanto se referir à Grande Muralha, mas também aos biombos de bambu, que servem para separar dois ambientes. Hoje se prefere o termo politicamente correto “Ethical Walls”. Independente do termo, o objetivo é evitar a troca de informações entre áreas que possam gerar conflitos de interesse.

E o que isso tem a ver com Instant Messaging (IM)? Oras, este é mais um canal de comunição, e que também precisa ser controlado para evitar um “buraco” na nossa muralha… As ligações telefônicas entre áreas sensíveis podem ser (e são) gravadas. Do que adianta controlar o telefone e abrir uma outra porta sem controle, através do IM? Com a difusão das soluções de IM como ferramentas corporativas, é preciso buscar novos patamares de segurança e administração.

Uma ferramenta de IM corporativa já possui diversos recursos para proteger a comunicação, inexistentes nas ferramentas de uso público, como a criptografia das mensagens e o log das conversações do lado do servidor. Além dos recursos das próprias ferramentas de IM, existe todo um mercado de soluções complementares para implementar Ethical Walls, oferecer relatórios de auditoria robustos, criptografar o logging, entre outros.

Sena

Guernica

Em 26 de Abril de 1937, há exatos 70 anos, a pequena cidade de Guernica, no país Basco, era bombardeada pelo esquadrão alemão Condor. A Alemanha nazista apoiava Franco no golpe contra a República, na barbárie que foi a Guerra Civil Espanhola.

Picasso pintou “Guernica” para denunciar a brutalidade daquele ataque. Tive o grande prazer de vê-lo ao vivo, no museu Reina Sofía, em Madri. A reação de todos que se deparam com esse enorme mural, em soturnos tons de preto-e-branco, é quedar-se de queixo caído. São pelo menos 15 minutos de contemplação, sem palavra diante da genialidade/brutalidade do gênio humano.

A Guerra Civil Espanhola também remete imediatamente a Ernest Hemingway, que fez cobertura jornalística na Espanha conflagrada, e mais tarde nos brindou com o monumental “Por Quem os Sinos Dobram” (Livraria Cultura). Todos os personagens fogem e perseguem a morte, e no final a encontram. O único objetivo de Robert Jordan é destruir a ponte, ainda que custe sua própria vida.

Apesar de não ser de Hemingway, mas de John Donne, a minha citação preferida do livro é o seu motto:

Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.

Um diálogo delicioso entre Maria e Robert Jordan:

Eu não sei beijar, ou eu o beijaria. Onde ficam os narizes?

E o livro puxa o também fantástico filme de 1943, com Gary Cooper e Ingrid Bergman como Robert e Maria. Pra compensar a estupidez humana, nada melhor do que a grandeza de Picasso, Hemingway, Cooper e Bergman.

Sena

Pesto Tropical?

Numa visita ao Mercado, comprei uns belos pinhões, daqueles de festa junina. Depois de me fartar de comer alguns (que tal fazer um dip, passá-los na manteiga, ou apreciá-los puros com sal?), pensei no que fazer com o resto. Por que não fazer uma versão tropical do molho pesto? O pesto genovês leva pignoli (um “pinhãozinho” mediterrâneo) e queijo pecorino (um “parmesão” feito de leite de cabra).

Uma bela porção de pinhões cozidos, descascados. Uns 250 gr. são o suficiente para o molho para 2 pessoas. No processador, vá batendo os pinhões, um dente de alho (se gostar), sal grosso, um fio de azeite extra-virgem, queijo parmesão, umas duas colheres de sopa de água filtrada. Vale colocar algumas ervas (pouco), como salsa e cebolinha. Se estiver muito seco, acrescente mais azeite, aos poucos, e acerte as quantidades dos temperos e queijo a gosto. Quando virar uma pasta, passe a mistura para um recipiente fundo. Acrescente manjericão fresco à vontade e azeite, socando sempre com um pilão. Para servir, cozinhe um penne de trigo duro. Adicione umas duas colheres da água do cozimento da massa ao molho, e incorpore o molho à massa. Tente trocar os pinhões por nozes.

Sena

Curiosidade

Curiosity. Advice to the young. Curiosity”, Ezra Pound

Sena

Olá!

Olá amigos,

Apesar de viver há cerca de 10 anos “de” Internet, e trabalhar há quase 7 anos com gestão de conteúdo Web, eu ainda não havia investido tempo em criar meu próprio site ou blog. Depois de ver vários amigos começarem seus blogs, chegou a vez do meu début.

Não quero ter um tema fixo para o meu blog, mas certamente vou falar do que me é familiar: gestão de conteúdo Web, portais, colaboração e afins. Minha idéia é logar aqui os assuntos que vierem à tona no meu dia-a-dia, e compartilhá-los com meus amigos, clientes e colegas que constroem a Web dentro e fora das empresas. Cabe notar que este blog espressa as minhas opiniões pessoais, e não corresponde às posições oficiais do meu empregador.

Pra não ficar tão enjoativo e monocromático, quero intercalar assuntos do meu interesse, como culinária e literatura. Por outro lado, pra evitar que a mistura fique indigesta, ficamos combinados de que o prato de resistência será o profissional, com algumas pitadas aqui e ali de autores que eu aprecio, aventuras culinárias e variedades. Conto com os comentários dos amigos pra moldar a cara deste nosso espaço.

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