Sena

Guernica

Em 26 de Abril de 1937, há exatos 70 anos, a pequena cidade de Guernica, no país Basco, era bombardeada pelo esquadrão alemão Condor. A Alemanha nazista apoiava Franco no golpe contra a República, na barbárie que foi a Guerra Civil Espanhola.

Picasso pintou “Guernica” para denunciar a brutalidade daquele ataque. Tive o grande prazer de vê-lo ao vivo, no museu Reina Sofía, em Madri. A reação de todos que se deparam com esse enorme mural, em soturnos tons de preto-e-branco, é quedar-se de queixo caído. São pelo menos 15 minutos de contemplação, sem palavra diante da genialidade/brutalidade do gênio humano.

A Guerra Civil Espanhola também remete imediatamente a Ernest Hemingway, que fez cobertura jornalística na Espanha conflagrada, e mais tarde nos brindou com o monumental “Por Quem os Sinos Dobram” (Livraria Cultura). Todos os personagens fogem e perseguem a morte, e no final a encontram. O único objetivo de Robert Jordan é destruir a ponte, ainda que custe sua própria vida.

Apesar de não ser de Hemingway, mas de John Donne, a minha citação preferida do livro é o seu motto:

Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.

Um diálogo delicioso entre Maria e Robert Jordan:

Eu não sei beijar, ou eu o beijaria. Onde ficam os narizes?

E o livro puxa o também fantástico filme de 1943, com Gary Cooper e Ingrid Bergman como Robert e Maria. Pra compensar a estupidez humana, nada melhor do que a grandeza de Picasso, Hemingway, Cooper e Bergman.

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