Arquivo de Maio de 2007

Sopa de Wan Tan

Haughty their passing,
Haughty their steps as they go in to great banquets,
To high halls and curious food
Poem by the Bridge at Ten-Shin, Ezra Pound

Continua o frio e lá vamos nós de sopa de novo! Hoje deu vontade de fazer uma sopa de Wan Tan (parece um capelleti in brodo chinês).

Primeiro faça um caldo básico: cozinhe na pressão um peito de frango inteiro, uma cebola inteira, um talo de salsão, sal a gosto e aji-no-moto. A massa é bem simples, basta sovar farinha de trigo com água gelada até adquirir uma consistência elástica. Depois é só abrir com o rolo ou na máquina o mais fino possível e cortar em quadrados de uns 10cm de lado. O recheio pode ser feito com o frango desfiado, cebolinha (experimente com nirá, uma cebolinha japonesa) e repolho picados na ponta da faca. Feche a massa formando bolinhos como um guioza. Adicione a massa ao caldo e deixe cozinhar. Finalize com broto de bambu cortado em fatias finas e cogumelos cortados na metade.

Para dar um toque especial, prepare o molho da sopa de vinagre e pimenta. Refogue cebolinha picada com uma colher de vinagre e o óleo de conserva de pimenta malagueta. Deixe a cebolinha murchar um pouco. Jogue a cebolinha sobre a sopa já servida nos pratos, ou sirva à parte. Espanta qualquer frio!

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Quando os projetos de Intranet falham

São vários os benefícios da tecnologia de Portais. Entretanto, todos nós conhecemos pelo menos um caso de projeto de Intranet que falhou. Quais são os motivos?

Portais falham quando:

  • Não tem um objetivo claramente definido - Uma Intranet precisa ter um objetivo, um mote, ou como diz o Ricardo Saldanha, um brasão. O contrário disso é o que eu costumo chamar de Intranet “big bang”, que em sua primeira versão quer abraçar o mundo. Um Portal deve ter um foco, que pode ser a prestação de auto-serviços de RH para os funcionários, melhorar a eficiência do Call Center ou centralizar as ferramentas da força de vendas. Se você não consegue explicar em poucas palavras quais são os principais problemas de negócio que a Intranet está resolvendo, é problema na certa;
  • Tem os pilares desbalanceados - As Intranets tem três facetas: comunicação, colaboração e atividades. Todas empresas querem ver estas três facetas refletidas na sua Intranet, embora as doses sejam diferentes entre as empresas. A parte de Comunicação é a mais prevalente nas Intranets que tenho visto, e em algumas é possível encontrar ferramentas de Colaboração. No entanto, são as atividades que transformam as Intranets de um lugar para “ler” em um lugar onde “executar” as tarefas do nosso dia-a-dia. A maior parte do ROI justificável de uma Intranet vem das atividades, no entanto são poucas as empresas que implementam aplicações relevantes como foco principal. O ideal é encontrar um balanceamento entre estes três pilares;
  • Confiam apenas na seleção técnica - Muitos projetos de Intranet são tratados como um concurso de beleza: as “candidatas” (ferramentas) são avaliadas segundo critérios arbitrários, em uma longa lista de atributos nem sempre lógicos, como os padrões suportados, conexão com o banco de dados X ou Y, linguagem de desenvolvimento Z, etc. De que valem estes “atributos”, se não descobrirmos para que servirá a Intranet? Este é um problema bastante comum às empresas públicas e às grandes empresas, na crença de que uma RFP técnica basta para um bom projeto de Intranet;
  • Geram resistência à adoção, ou pior, indiferença - Normalmente a resistência à adoção tem origem nos problemas anteriores. Uma Intranet sem “caráter” não prende a atenção de ninguém. E não adianta apelar para o estratagema de colocar a Intranet como Home Page de todo mundo. Se a Intranet não for útil as pessoas vão sair dela rapidamente, ou mesmo clicar em “stop” antes da página carregar;
  • São tecnologicamente inadequadas - Este é um problema comum em Intranets conduzidas pelas áreas de Comunicação, ignorando as orientações de TI. Normalmente este problema se desdobra em vários outros: plataforma incompatível com as demais aplicações, alto custo de manutenção por não respeitar os padrões, tripé desbalanceado (foco em comunicação, zero em atividades);
  • Geram o caos - Este é um problema típico causado pelo vírus “SharePoint”. A empresa padroniza o “vírus”, pensando que criou um padrão para “as” Intranets corporativas. Depois descobre que cada departamento criou sua Intranet, sem respeitar qualquer padrão; os usuários geram aplicações mas ninguém sabe responder onde está a documentação ou quais são as contingências em caso de falha; o conhecimento é replicado entre os vários sites; não existe um mecanismo eficiente para buscar informações em todos os sites. Em suma, a governança inexiste.

Quais são os motivos que você acha fundamentais para o sucesso ou fracasso de um projeto de Intranet?

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Taxonomias, Poli-hierarquias e Múltiplas Taxonomias

Quando falamos de taxnomias, todos evocam a Gestão de Conhecimento (KM), e muitos praticantes de KM tentam aplicar estes conceitos à gestão de conteúdo Web. Na gestão de conteúdo Web, no entanto, temos problemas adicionais além do assunto principal do documento: como tratar conteúdos em múltiplos idiomas, como descrever atributos de personalização, como filtrar conteúdos pelas preferências do usuário. E aí começam as dúvidas, se estas classificações entram ou não na taxonomia.

Várias ferramentas de WCM implementam uma única árvore de taxonomias, o que faz com que este recurso seja tratado como excasso, e portanto deve ser usado com parcimônia. Outras ferramentas tornam o problema ainda mais complexo por implementar uma única árvore taxonômica para todos os sites gerenciados na mesma instalação. Se temos uma única árvore de taxonomias, normalmente acontecem duas coisas: a taxonomia é distorcida para atender às necessidades funcionais, ou estas necessidades são tratadas como outros metadados do conteúdo.

Gosto do conceito de Bob Boiko, que trata qualquer forma de classificação de conteúdo, inclusive taxonomias, como hierarquias. Neste conceito, um conteúdo pode ser classificado em várias hierarquias diferentes, o que corresponde ao que acontece no nosso mundo real. Boiko indica que a poli-hierarquia, que significa atribuir o mesmo conteúdo a mais de uma taxonomia, na teoria é incorreto, mas na prática é inevitável.

Algumas ferramentas, como o IBM WWCM, permitem a criação de mais de uma taxonomia (ou hierarquia) por site. O uso de múltiplas taxonomias nos permite ter uma taxonomia “limpa” para o tema principal, e ao mesmo tempo ter outras hierarquias, para idiomas, departamentos, personalizações e outras necessidades funcionais dos nossos sites. Portanto um produto pode estar classificado como “Livros > Computers & Internet > Programming > Web Programming”, mas também em “Inglês” na hierarquia de idiomas, “Hardcover” na hierarquia de acabamentos, e assim por diante. Estes atributos poderiam ser implementados como metadados? Sim. Mas esta pode ser uma opção interessante, principalmente se estes atributos forem usados por um motor de personalização.

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Sociedade da Informação

Um dia desses estava passando em frente a uma loja de discos (sim, elas ainda existem!) e vi o disco Hack, do Information Society (1990). Quem é da minha idade e gosta (gostou, gostava, continua gostando) de música eletrônica, deve ter curtido essas músicas ou pelo menos conhece “What’s on Your Mind”.

Achei a seguinte letra particularmente curiosa (é do disco Peace and Love Inc.):

You tell me what I should need.
Advice is your specialty.

Where would I be without my PC?
Where would I be without MTV?
Where would I be without CNN?
Where would I be — without IBM?

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O Futuro do Desktop

Nos últimos dias estive discutindo muito sobre o desktop do futuro, em especial sobre o uso das ferramentas de produtividade (editor, planilha, etc.) no ambiente corporativo. Há muito tempo esse mercado é dominado por uma tecnologia de rich client, e os arquivos sendo eventualmente compartilhados através de e-mail ou de repositórios de arquivos.

Hoje existem opções abertas bastante competitivas, como o OpenOffice, mas o modelo não muda. Continua a dependência de um software instalado em cada desktop

Mais recentemente, surgiram ferramentas razoavelmente poderosas baseadas em um modelo thin client (software no servidor, acesso através de browser) como o Writely, que depois se tornou Google Documents. São vários outros exemplos, como o WebNote, que emula o OneNote, e o Meebo, para instant messaging.

Repensando na questão inicial: com os dispositivos móveis e subnotebooks evoluindo cada vez mais, haverá desktop? O mais importante será ter acesso aos nossos arquivos, não importa se a partir de um desktop, laptop ou celular, e o modelo de rich client fica complexo demais quando se adicionam muitas variáveis.

Para o mundo corporativo, imagino que vamos caminhar para um modelo de desktop gerenciado, ou seja, um middleware rico instalado no cliente e os pacotes de software sendo gerenciados e provisionados do lado do servidor. A Citrix aposta neste modelo, com o processamento do lado do servidor; a IBM e a Adobe apostam no modelo de gerenciamento no servidor e processamento local; a Microsoft e o OpenOffice continuam a aposta em uma aplicação cliente tradicional.

Enquete rápida: você armazenaria seus documentos em um servidor, como no modelo do Google? E os documentos da sua empresa?

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Tapioca, Cuzcuz e Beiju

Como cearense de pai e mãe, sou fã incondicional de tapioca. Pensei eu: tem coisa mais fácil de fazer do que tapioca? Ledo engano…

Comprei um saquinho de “farinha de tapioca” no supermercado, crente de que era o ingrediente correto. E a baiana Ana, da feira da minha rua, me orienta: “não, meu filho. Tapioca é pra fazer Cuzcuz de Tapioca; pra fazer essa Tapioca, que se chama Beiju, se usa Polvilho”. Óbvio, não?

A tal farinha de tapioca (250 gr.), se deixa de molho de um dia para o outro em 1 litro de leite e 1 vidro de leite de coco. Esse é o Cuzcuz de Tapioca, e fica delicioso com leite condensado e coco ralado. Nem tente usar a farinha de tapioca pra fazer tapioca - digo, beiju - sob o risco de perder a frigideira!

Em uma nova incursão ao supermercado, compro o polvilho azedo, aquele mesmo que se usa pra fazer pão de queijo. Pela orientação de Ana, bastava umedecer e “acertar o ponto”. Eis aí o novo desafio… Primera tentativa: água demais, ficou um líquido com uma aparência de Geleca. Depois da frigideira, ficou com consistência de puxa-puxa.

Na segunda tentativa, usei duas porções de polvilho, uma porção de água fria e uma pitada de sal. A melhor forma de acertar o ponto é adicionar água aos poucos. O resultado deve ser uma massa úmida, que não gruda na mão, e que se esfarela ao ser partida. Passe a massa por uma peneira, e você obterá uma farinha úmida. Se não adquirir consistência de farinha, mas formar pelotas úmidas, adicione mais polvilho e passe de novo pela peneira.

A parte final é a mais fácil. Aqueça uma frigideira em fogo baixo, sem nenhum tipo de óleo, e cubra o fundo com o polvilho umedecido. Espalhe bem para cobrir todos buraquinhos e deixe assar por uns 2 minutos. Passe manteiga ou recheie com leite condensado e coco ralado, dobre a massa ao meio e deixe por mais alguns segundos. Ufa!

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A Hora da Web

Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido.
A Hora da Estrela, Clarice Lispector, 1977

Estive relendo A Hora da Estrela, me preparando para visitar a exposição temporária comemorativa dos 30 anos de lançamento do livro no Museu da Língua Portuguesa, e essa frase me pegou na hora. Se estivesse viva, Clarice Lispector teria seu blog, bem adequado à sua linguagem não-linear e ao seus textos auto-biográficos:

Tem gente que cose pra fora, eu coso pra dentro. Clarice Lispector

Se você ainda não conhece o Museu, não perca!

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Ossobucco com Polenta

…freqüentemente, com a barriga vazia, apoiavam-se na enxada e olhavam balançar ao vento a grande bandeira vermelha e preta, levantada no alto de uma palmeira, e diziam entre eles, brincando: de um pouco de polenta e um pouco de ideal se pode viver…
Amilcare Cappellaro, em A Verdadeira História da Colônia Cecília de Giovanni Rossi, de Isabelle Felici

Ossobucco com Polenta

Antes que o tempo mude novamente e aproveitando que ainda continua frio, vamos fazer um clássico de Inverno daqui de casa: Ossobucco com Polenta! É rápido, fácil, gostoso e engorda que é uma beleza!

Em um açougue de confiança, compre algumas peças de ossobucco fresco. Tempere o ossobucco com cebola ralada, cebolinha, salsa e azeite, e leve para assar por uns 25 minutos no forno médio. Em outra panela, prepare um molho de tomate grosso. Coloque o ossobucco na panela de pressão, cubra com o molho de tomate, um pouco de água. Se gostar, acrescente uma folha de louro ou um raminho de alecrim. Deixe cozinhar por 20 minutos na pressão.

Retire a carne da pressão e continue cozinhando para apurar o molho. Prepare uma polenta (fubá, margarina e água quente), e acrescente parte do caldo da carne, mexendo sempre pra não empelotar.

Sirva com vinho tinto e pão italiano (o pão é pra “pochar” no tutano! Que meu cardiologista não saiba disso!).

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O Laptop de US$ 100 e a Web

Outro assunto interessante da Veja desta semana foi a chegada da primeira leva de laptops para fins educacionais, os famosos laptops de US$ 100. Os primeiros 100 laptops do projeto piloto de 1.000 laptops foram entregues, segundo a reportagem. Somente no Brasil, o projeto espera distribuir 30 milhões de laptops para crianças em idade escolar.

Existem duas frentes principais, o projeto OLPC (One Laptop per Child), liderado por Nicholas Negroponte, do Media Lab do MIT, e o Classmate PC, um produto da Intel. Até o momento, o XO, o laptop do OLPC leva vantagem na comparação (veja também a tabela comparativa da Laptop Magazine).

O XO é extremamente inovador: possui uma tela de alta-resolução (1200 x 900 x 200 dpi), câmera de vídeo embutida, som, consumo mínimo de bateria e fontes alternativas de carga, até mesmo por manivela. Os laptops são equipados com redes wireless, e foram uma rede Mesh com os laptops próximos. O sistema operacional Sugar também merece destaque, a começar pela interface gráfica enxuta e simples o suficiente para o uso mesmo por uma criança pré-alfabetizada. Ao contrário do Windows, o sistema foi concebido na era da Internet, o que se reflete na preocupação com a segurança desde o início.

Quem quiser experimentar o sistema Sugar pode baixar um emulador e uma imagem no site da fundação. Também estão disponíveis instruções para converter as imagens para VMWare.

Agora já sabemos do que se trata o projeto e podemos até testar os laptops. Pense por um momento: o que significa essa massa de milhões de novos usuários, dotados de laptops com acesso à Internet, usando um sistema cuja interface é radicalmente diferente dos nossos computadores atuais? Os nossos sites estão preparados para recebê-los? Estamos produzindo conteúdo educativo adequado? Como explorar as características únicas do projeto, como a interface preto-e-branco quando o laptop é usado no sol? Como vamos explorar as redes Mesh para usufruir do potencial nativo de comunidades? Como maximizar a experiência do usuário, mesmo nos momentos de desconexão, em que ele não dispõe de conexão à Internet?

No entanto, o sucesso do projeto não depende só de um hardware bacana e um sistema operacional inovador, depende também da formação dos professores e de conteúdo disponível. O que nós, profissionais da Web, estamos fazendo a respeito? São 30 milhões de novos usuários nos próximos anos. Pense nisso.

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O Ócio e A Criatividade

Ao conversar com o amigo Alexandre Praça, discutimos sobre o conceito de “Spare Cycles” (tempo ocioso), como discutido no post recente de Chris Anderson. Em resumo, o tempo ocioso pode ser usado de forma criativa, o que a princípio pode ser visto como desperdício, mas que ao longo do tempo se prova inovação. Por exemplo, as interfaces gráficas dos computadores só se viabilizaram pela disponibilidade de tempo ocioso de processamento. O PlayStation, que poderia ser considerado o supra-sumo do desperdício de tempo de processamento, se tornou um supercomputador doméstico dedicado ao lazer. Boa parte da produção da Web, as comunidades Open Source, o Second Life e este Blog só existem pelo tempo ocioso disponível, tanto de processamento quanto das pessoas.

Foi impossível deixar de fazer um paralelo com Domenico Demasi e o Ócio Criativo:

Contudo, a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo.

Apesar de Demasi defender aberrações como a jornada de 5 horas ou menos, é inegável que precisamos de um tempo “desligados”. Não ensinamos mais aos nossos filhos a admirar o céu, a arquitetura, os rostos, e a descobrir a beleza nas coisas que passam desapercebidas na caótica paisagem urbana. O bom ócio não é o contemplativo, passivo, mas o ócio de atividade mental ativa, curioso. Seria este o ócio criativo que move as criações citadas por Anderson?

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