Mai 14th, 2007
O Ócio e A Criatividade
Ao conversar com o amigo Alexandre Praça, discutimos sobre o conceito de “Spare Cycles” (tempo ocioso), como discutido no post recente de Chris Anderson. Em resumo, o tempo ocioso pode ser usado de forma criativa, o que a princípio pode ser visto como desperdício, mas que ao longo do tempo se prova inovação. Por exemplo, as interfaces gráficas dos computadores só se viabilizaram pela disponibilidade de tempo ocioso de processamento. O PlayStation, que poderia ser considerado o supra-sumo do desperdício de tempo de processamento, se tornou um supercomputador doméstico dedicado ao lazer. Boa parte da produção da Web, as comunidades Open Source, o Second Life e este Blog só existem pelo tempo ocioso disponível, tanto de processamento quanto das pessoas.
Foi impossível deixar de fazer um paralelo com Domenico Demasi e o Ócio Criativo:
Contudo, a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo.
Apesar de Demasi defender aberrações como a jornada de 5 horas ou menos, é inegável que precisamos de um tempo “desligados”. Não ensinamos mais aos nossos filhos a admirar o céu, a arquitetura, os rostos, e a descobrir a beleza nas coisas que passam desapercebidas na caótica paisagem urbana. O bom ócio não é o contemplativo, passivo, mas o ócio de atividade mental ativa, curioso. Seria este o ócio criativo que move as criações citadas por Anderson?
Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 330
Junte-se a isso um pouxo da “Iron Cage” e Max Weber … teremos um bom retrato de como as empresas funcionam nos dias de hoje. Concordo que Demasi exagerou um pouco, mas posso atestar com meus 20 anos de experiência que sem ócio não há criatividade.
Mas é pior que isso. O cenário e a pressão atualmente sofrida por todos nós no nosso dia a dia de trabalho sequer nos deixa tempo para nos mantermos atualizados nos temas que precisamos para executar um bom trabalho. Com o conhecimento técnico da humanidade dobrando a cada dois anos, resta saber quanto tempo as empresas vão demorar para entender que é preciso orientar e estimular o ócio criativo (controlado), e não entupir todo mundo com uma carga de trabalho absurda.
O tempo vai diferenciar as empresas que cuidam destes aspectos. Há esperança. Na Google, por exemplo, um dia por semana (20% do tempo) é dedicado a projetos pessoais … daí surgiu, por exemplo, o orkut.