Arquivo de Novembro de 2007

A Cauda Longa da Inovação

Acabo de ler um artigo de Lee Fleming na Sloan Management Review, do MIT, sobre A Cauda Longa da Inovação. O que me chamou a atenção foram os efeitos da colaboração sobre a inovação. Se você der sorte ainda consegue baixar uma cópia do artigo.

O artigo é baseado na pesquisa do autor sobre mais de 17.000 patentes desde 1975, buscando entender as fontes da inovação e como as empresas podem estimulá-las. O autor constatou o parece razoavelmente óbvio: a maior parte das invenções não tem utilidade, e apenas um pequeno número de inovações são grandes rupturas, formando uma “Cauda Longa da Inovação”. Para entender melhor a Cauda Longa, leia a resenha que publiquei há algum tempo.

Segundo o autor, para medir a inovação é preciso atentar para três variáveis:

  • Número de tentativas: quanto mais se tenta, mais chances se tem de inovar
  • Valor médio: temos que buscar o aumento do valor gerado pelas inovações. Quanto maior o valor médio, maiores são as chances de se gerar grandes inovações
  • Variabilidade dos alvos: mais tentativas em alvos ricos, ou mais tentativas em alvos variados, tendem a gerar grandes inovações

A parte do estudo que mais me interessa é a análise dos inovadores solitários ou dos inovadores “colaborativos”. As conclusões levam a crer que os inovadores solitários tendem a ter mais fracassos, mas também são os responsáveis pelas maiores inovações. Como eles não estão sujeitos às críticas dos colegas, a qualidade média das inovações é baixa; por outro lado, a ausência de restrições pelas convenções do meio gera as maiores quebras de paradigma.

O que isso tem a ver com a colaboração e com as nossas empresas? Uma das conclusões do estudo é que o incentivo à colaboração tende a minimizar a incerteza no processo criativo. Da mesma forma, as redes sociais não tem efeito sobre a criatividade, mas são fundamentais para a difusão da tecnologia. O autor ainda conclui que o processo criativo sempre depende de algum grau de “serendipity” (que beleza de palavra, que só existe em Inglês: as descobertas feitas ao completo acaso).

As ferramentas adequadas de colaboração podem incentivar a inovação, ao promover o compartilhamento de informações e a formação de redes sociais. Blogs e Wikis estão ganhando cada vez mais espaço na Enterprise 2.0, quebrando a rigidez da comunicação entre pessoas e equipes. Ferramentas como o social bookmarking agregam um grau de “serendipity” às nossas buscas tão exatas: uma busca que começa com uma idéia vaga retorna alguns resultados e seus tags associados; clicks sucessivos nos tags vão nos permitindo refinar a busca, e também vamos encontrando outros itens que não estavam incluídos na nossa consulta inicial.

Quais são as práticas em uso na sua empresa para incentivar a inovação?

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Museu Afro-Brasil: Benin está vivo ainda lá

Pra comemorar apropriadamente o dia da consciência negra, uma excelente dica é o Museu Afro-Brasil. Fazia algum tempo que eu estava curioso em visitá-lo, e o empurrão que faltava foi a exposição temporária sobre o Benin. O Museu Afro-Brasil fica no Parque do Ibirapuera, no portão 10, pertinho do lago e do Planetário. Dica: não deixe seu carro com os flanelinhas! Estacione na Assembléia Legislativa e atravesse a rua.

Fiquei surpreso com a dimensão e o acervo do museu, ademais a qualidade das exposições temporárias. Como o nosso objetivo primeiro era a exposição sobre o Benin, vamos retornar em breve para conhecer melhor o acervo fixo.

O Benin é hoje um pequenino país africano, mas foi um dia o reino de Daomé (ou também Costa dos Escravos). É impressionante como não conhecemos praticamente nada deste país, dada a sua importância para a nossa cultura: a maioria dos escravos que veio para o Brasil partiu de lá; comidas como o Acarajé, o Inhame e o Azeite-de-Dendê são do Benin; o Candomblé é derivado do Vodu, religião do país. Para quem for para Salvador, uma dica: não deixe de visitar a Casa do Benin, no Pelourinho. É um misto de museu e restaurante, ambos de excelente qualidade.

Os pontos altos da exposição do Benin, na nossa opinião, foram:

  • As emocionantes fotos em preto-e-branco de Pierre Verger. Veja milhares de fotos do artista no site da Fundação Pierre Verger, entre elas as fotos de Dahomey (Daomé, hoje Benin)
  • Os desenhos originais de Carybé, em suas duas visitas ao Benin
  • As gigantescas máscaras Gélédé (se não fossem as fotos, não daria pra imaginar alguém usando aquilo na cabeça!)
  • A instalação de Aston. Vista do alto, a obra gigante mostra os navios negreiros repletos de escravos partindo da África. Ao olhar a obra de perto nos damos conta de que as centenas de personagens, navios, cavalos e tudo o mais são feitos de sucatas variadas, e percebemos a segunda intenção do artista: hoje somos escravos do consumismo.

Não deixe de visitar esta maravilhosa exposição, até 24/02/2008.

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Mashups Além do Google Maps

(Um dos meus últimos posts foi sobre o SecondLife e vocês devem imaginar que fiquei perdido por lá… Na verdade fiquei enrolado na FirstLife mesmo, como a maioria das pessoas que conheço!)

Voltando ao tópico deste post, sempre que falamos de Mashups é inevitável a referência aos exemplos com mapas. Não estou exagerando, 56% dos Mashups listados no Programmable Web são de mapping! Para quem é novo no conceito, um Mashup é uma página Web ou aplicação que reúne dados de diferentes fontes, como outros sites Web, bancos de dados, API’s, etc. A idéia é você criar novas aplicações a partir de aplicações existentes. Por exemplo, mostrar o mapa (bingo!) correspondente à cada loja ou agência na lista de endereços da minha empresa, usando a sua lista de endereços e os mapas do Google. Veja alguns milhares de exemplos aqui:
http://www.programmableweb.com/mashups

Um dos exemplos mais instigantes de mashups que encontrei foi o de Finanças Pessoais. Nos últimos meses surgiram vários sites que permitem que você gerencie suas finanças da mesma forma que você gerencia o seu perfil no Orkut. É o Money com a cara do MySpace. É o Quicken da Web 2.0. Os exemplos mais bacanas de Personal Finance 2.0 são o Wesabe, o Mint e o Buxfer.

No tour do Wesabe você pode ter uma idéia da fusão de Web 2.0 com os seus extratos bancários:

A idéia nem é tão nova assim, vide a Planilha Financeira do Terra. A novidade dessa nova geração é a fusão com a Web 2.0. Ao importar os seus extratos na aplicação não há nada muito diferente do que gerenciar suas finanças no Excel ou no Money, certo?. Opa, o que são aqueles tags ao lado dos meus lançamentos? Isso mesmo: você categoriza as suas despesas usando folksonomy, assim como você organiza suas fotos no Flickr. E como outras pessoas também fazem compras no Walmart ou Carrefour, e categorizam estas compras como ’supermercado’, que tal ver o gasto médio dos usuários na mesma categoria? E ler as dicas de outros usuários sobre aquela loja ou aquela categoria, sobre como otimizar suas despesas com o supermercado? Restam as barreiras culturais, por exemplo se os usuários estarão dispostos a disponibilizar seus dados financeiros em um servidor público, mesmo com todas as promessas de privacidade, ou até se somos organizados o suficiente para gerenciar nossas finanças…

Mas o Wesabe dá um passo além. Através da Wesabe API, você pode acessar os dados da sua conta no Wesabe e cruzar estes dados com outras aplicações, para criar a sua própria aplicação financeira. Para os tech gurus, isso significa criar uma interface REST ao Internet Banking do seu banco, mesmo que o banco não disponibilize tal serviço. Wow! É difícil pensar em um exemplo de aplicação? O pessoal do Buxfer, que tem um serviço semelhante, criou um Gadget para você plugar no seu MySpace, para você gerenciar a conta do Happy Hour com a turma do trabalho, ou um Gadget mais óbvio para a sua página do iGoogle.

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