Arquivo de Abril de 2008

Festa Nacional do Índio

Em comemoração ao Dia do Índio, visitamos hoje a VIII Festa Nacional do Índio, em Bertioga-SP. A festa vai até o dia 20/04 na enseada de Bertioga, próximo ao forte. Participe, a experiência vale muito a pena!

Existem duas grandes tendas. Na primeira acontece uma exposição das várias etnias que participam da festa, vindas de todas as partes do Brasil e algumas de outros países. O espaço dedicado a cada etnia é pequeno e um pouco mais de informação seria bastante útil. No geral, é fantástico poder ver tantos povos diferentes convivendo no mesmo espaço.

Na segunda tenda foi armada uma arena com arquibancada, onde se pode presenciar jogos, danças e rituais de cada etnia. Assistimos apresentações dos índios Paresi Haliti (futebol de cabeça), Bororo, Yawalapiti, Xavante, Ashaninka, Kuikuro (flautas gigantes), Shanenawa e Quéchua (Peru).

AshaninkaFiquei bastante impressionado com os Ashaninka. Eu desconhecia totalmente esta etnia do Acre, que se considera aparentada dos Incas. Tudo parece confirmar essa teoria: eles são mais altos do que as demais etnias, usam mantas de corpo inteiro, tem feições parecidas com a dos andinos, usam instrumentos como a flauta de pã e o tamborete. Apesar de parecerem muito sérios, fizeram uma tremenda festa, chamando as outras etnias e toda a arquibancada a descer e dançar. O resultado você confere na foto abaixo, onde você pode ver brancos, negros, japoneses, ashaninkas, xavantes, shanenawas…
Final da dança dos Ashaninka

Além da presença hegemônica das sandálias Havaianas nos pés de todos, capturei algumas cenas curiosas. Você pode ver todas as fotos no Flickr. Não foram poucos que presenciei usando celulares, máquinas digitais ou contando dinheiro. A tecnologia pode destruir os laços que ainda mantém estes povos, mas também pode servir para divulgar e preservar a sua cultura.

Karajá
Alguém notou o brasão do Corinthians no bracelete deste índio Karajá?

Guerreiro Shanenawa filmando
Guerreiro Shanenawa filmando a disputa de cabo-de-guerra feminino com as Bororo

Que saudades de casa...
Que saudades de casa…

Tapaxó
Pra mim? (Tapaxó)

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Lasanha de Polenta

Hoje está frio, um bom dia para uma lasanha com vinho.

Lasanha de Polenta

Primeiro, faça um ragu. Cozinhe uma peça de lagarto em tomates cortados em pedaços grandes até que a carne desmanche. Se estiver com pressa (como eu), corte o lagarto em cubos grandes, refogue em cebola e cozinhe com tomates, água e sal em panela de pressão por cerca de 40 minutos. Desfie o lagarto e volte ao molho. Acrescente mais tomates (ou purê de tomates) e deixe cozinhar por mais meia-hora em panela normal. Acerte o tempero.

Umedeça 300 g. de fubá com cerca de 1 copo de água fria, para não empelotar. Leve ao fogo com um fio de azeite e sal, e vá acrescentando colheradas do caldo da carne a gosto. Reserve. Rale grosso um queijo minas padrão pequeno e reserve.

Espalhe uma camada de polenta no fundo de uma assadeira e leve ao forno médio para secar um pouco (10 min). Faça camadas de ragu, queijo e polenta até completar, terminando com queijo. Leve ao forno por 10 minutos. Se tiver um grill, deixe gratinar o queijo por cerca de 5 minutos. Sirva com rúcula.

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Mercados Centrais

Eu acredito que uma boa forma de conhecer uma cidade é pelo seu Mercado Central. Lá você encontra os produtos da terra, os artesanatos mais originais, a comida típida, a diversidade de fisionomias e costumes.

Recentemente estive no Mercado Central de Fortaleza, que eu já conhecia. Já não me lembrava muito, mas fiquei decepcionado com a pouca variedade. O primeiro piso basicamente tem boxes que vendem as rústicas delícias cearenses: castanhas, rapaduras, doces de caju e outros doces secos. Rodei quase todos os boxes e não encontrei um doce que conheço na minha família como “tijolinho” e que também se chama canjirão. É um doce quadrado em formato de rapadura, mas de consistência macia, feito de farinha de castanha de caju, mel de caju e farinha de mandioca. É uma delícia! Infelizmente o doce estraga muito rápido, portanto você só consegue comprá-lo fresco na região dos meus pais, em Aracati. O segundo piso do mercado só tem rendas, bordados e semelhantes, e o terceiro só tem lembranças. Nada de coisas frescas e comidas da terra.
Mercado de Fortaleza

Hoje estive em Porto Alegre, e revisitei com alegria o Mercado Público. Ele continua elegante, limpo e bem sortido. Este mercado lembra em muito os mercados de São Paulo, com bons açougues e com destaque para a qualidade dos pescados frescos. Outra semelhança é a revitalização do ambiente com a criação de praças de alimentação. Não deixe de tomar um sorvete com nata na Banca 40 (à direita na foto).
Mercado Público de Porto Alegre

Almocei no Gambrinus, restaurante de 108 anos, onde você pode saborear um delicioso pescado, com destaque para a Tainha das sextas-feiras. Uma curiosidade do Gambrinus é a cadeira do Lupicínio Rodrigues, assíduo freqüentador e famoso compositor de sambas-canção, marchinhas de carnaval e o hino do Grêmio. Lembra as homenagens de outras terras, como as mesas reservadas de Jorge Luís Borges no Café Tortoni e de Julio Cortázar na confitería London City, ambas em Buenos Aires.
Gambrinus, Mercado Público de Porto Alegre

Se você vive em São Paulo, você já deve conhecer o Mercado Municipal da Cantareira. Se ainda não conhece, não perca. Quem como eu vive na zona Sul, conheça também o Mercado Municipal de Santo Amaro, bem menor do que o outro, mas também perfeito para encontrar aquele ingrediente difícil ou uma carne de qualidade.

Por falar em viver em São Paulo, veja o bem sacado post de Flávio Mendes sobre morar x viver. Concordo plenamente com ele, e declaro que eu Vivo em São Paulo e, sim, é muito bom!

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Virei Mangá!

Virei Mangá!O SESC Paulista está com uma super-programação sobre diferentes aspectos da cultura japonesa. O projeto se chama Tokyogaqui, que pode ser “a imagem de Tóqui aqui” ou “cópia barata de Tóquio”.

No quinto andar você vai ver os ícones da cultura pop de várias épocas, a começar pelos vídeos originais do Godzilla, que o recepcionam logo na saída do elevador. Um palco de karaokê de J-pop é frequentado por animadores competentíssimos e os visitantes que encararam subir no palco não desafinaram. Vitrines com centenas de bonecos e miniaturas, algumas infantis outras nem tanto, dividem o espaço com video-games de última geração e revistas em quadrinhos. Você também pode virar mangá aos sábados, como eu, com os desenhistas da equipe do Fábio Shin

Miniaturas no Tokyogaqui

No nono andar, uma comovente exposição em homenagem aos 101 anos de Kazuo Ohno, bailarino de butô ainda vivo. A ambientação escura favorece a introspecção. Vídeos de Kazuo Ohno quando ainda atuava e os bailarinos de butô ao-vivo, movendo-se/dançando em meio aos visitantes, dão uma idéia do que é esta moderna arte de dança japonesa.

Quando estão tristes ou contentes, vocês não conseguem enxergar nada. Fecham os olhos e não vêem mais nada. Mas não é possível dançar de olhos fechados. Os olhos devem estão bem abertos e dança-se sem olhar. Kazuo Ohno

A Comedoria, na cobertura, foi transformada em um barzinho japonês, com direito a karaokê e decoração típica. Não deixe de visitar a cobertura, nem que seja para ter uma vista privilegiada da Av. Paulista.
Vista da Av. Paulista a partir do Sesc Paulista, n° 114

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Duofel: 30 anos

Na sua série Batique, a OSUSP - Orquestra Sinfônica da USP, vem experimentando a aproximação com a música popular. O convidado dos dias 11 e 12 de Maio foi o Duofel, que está completando 30 anos em 2008. Em Setembro a OSUSP se apresentará no Auditório Ibirapuera, pela mesma série, com Nelson Ayres, e em Outubro com a escola de dança Pulsarte. O Auditório Ibirapuera já vale a visita; a foto deste post ilustra a escultura de Tomie Ohtake no hall principal.
Escultura de Tomie Ohtake no Auditório Ibirapuera

Eu nunca havia assistido uma apresentação ao vivo de violão e orquestra, apesar do Duofel ter tocado anteriormente com a Jazz Sinfônica (por sinal, a Jazz Sinfônica toca nos dias 25 e 26 de Abril no Auditório). O resultado é fantástico, com adaptações bem arranjadas para orquestra e sem perder o sabor popular. Nas primeiras duas músicas a percussão sobressaiu demasiado para o meu gosto, sobrepondo os solos de violão, além do toque demasiado “latino” com gosto de salsa. A partir daí a harmonia foi maior, com interpretações inspiradas. A inspiração latina continua, com um gostinho de Paco de Lucía ou o violão romântico de Andrés Segovia, como em Do Outro Lado do Oceano. O duo tira sons inusitados dos violões com arcos de rabeca e frouxolão. O auge foi a explosão de energia no encerramento, fazendo a orquestra a beirar a atonalidade.

Quem quiser conhecer um pouco do Duofel, recomendo o disco com Badal Roy, percussionista indiano. Falando em violão, não deixe de conhecer mais de Andrés Segovia, um dos maiores (se não o maior) violonista de todos os tempos e o maior intérprete de Bach no instrumento.

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O meu Telefone Mágico

A última edição da Java Magazine traz um editorial sobre Android versus Java ME, muito apropriadamente do ponto de vista de um desenvolvedor. Existem várias discussões sobre o assunto, a maioria puxando a sardinha para um lado (por exemplo, veja o blog de Hinkmond Wong, da Sun).

A maior parte das discussões que encontrei atacam o fato de que o Android ainda não existe comercialmente, ou seja, ainda não existe nenhum telefone Android-enabled. Fato. Outra parte vai por uma vereda “religiosa”, tentando impingir a sua verdade de fé aos incréus, e acusando a iniciativa “da Google”.

No entanto o que mais me chamou a atenção foi a lista de membros da Open Handset Alliance, o grupo de empresas que apóia e financia a iniciativa. O fato da HTC, que vem liderando o mercado de smartphones high-end, ao lado de LG, Motorola e Samsung pertencerem à aliança me parece muito relevante. O fato de pertencerem a China Mobile, NTT DoCoMo, Sprint, T-Mobile, Telecom Italia e Telefónica pelo lado dos operadores, também.

Estamos vendo o Windows Mobile crescendo velozmente nos dispositivos móveis, e o Java ME não me parece capaz de competir como plataforma por ser fragmentado demais e excessivamente focado no desenvolvedor, relegando a segundo plano os interesses de operadores e fabricantes de dispositivos. Por plataforma quero dizer não apenas os aplicativos baixados no dispositivo, mas também os aplicativos básicos do aparelho, como a agenda, a tela de discagem, etc. Parece-me muito salutar o movimento do mercado na direção de padrões abertos, seja o vencedor ao final o Java ME, Android ou outro padrão que se anuncie. A conferir.

Enquanto isso, veja o vídeo de divulgação da Open Handset Alliance, sobre o que seria um telefone mágico. Lembra muito a campanha da Leo Burnett para os 30 anos da Fiat sobre o carro do futuro.

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A Bolha dos Widgets

Widgets, widgets, widgets. Widgets em toda parte. Será uma bolha?



RockYou FXText

O que é um widget afinal? Pode ser algo tão inútil quanto a simpática canequinha acima, ou um aplicativo que realmente faça sentido no contexto do seu site. O widget pode ser um “enfeite” para o seu blog ou a sua rede social (como a canequinha), mas também poderia ser um simulador de empréstimos de um banco em um site de educação financeira. Como em tudo na vida, é possível encontrar bons e maus exemplos de widgets, uns mais e outros menos úteis.

O que não me convence é querer transformar os widgets em uma ferramenta de “marketing viral”. Empresas investindo pesado para criar widgets com jogos e efeitos criativos, visando fixar a marca e esperando que as pessoas espalhem o widget para as outras. Só existe um problema, muito bem observado no artigo de Ben Kunz na BusinessWeek de 3/03: em uma rede social as pessoas estão “fazendo coisas”, estão construindo o site, estão interagindo, estão colaborando. É muito provável que alguém até coloque o seu widget na sua página como uma decoração, mas não mais do que isso. O modelo mental das pessoas interagindo com uma página de um site social é muito diferente daquele modelo mental de quem está pesquisando no Google ou acessando um site de notícias. O resultado pode ser um recall baixo.

Penso que parte desta expectativa inflada gerou o efeito de super-valorização das empresas que criam widgets. O que mais explica que empresas de fundo-de-quintal, como a RockYou, passem a valer milhões de dólares depois de produzir quatro ferramentas de slide-shows de fotos para páginas de redes sociais? Não quero desmerecer o trabalho técnico, que é realmente muito bom, mas simplesmente acho que não valem.

Apesar do efeito nefasto de bolha, que inevitavelmente vai provocar perdas para alguns em breve, a onda dos widgets vem causando uma quebra de paradigma na construção de páginas. Somado ao conceito de mashups, este tipo de tecnologia vai permitir cada vez mais que o próprio usuário tome controle do conteúdo que ele quer consumir e vai mudar radicalmente a nossa relação com o conteúdo. Enquanto isso, acompanho com interesse a evolução do OpenSocial.

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Banquete Árabe

Gente boa, quanto tempo!

Zapeando a TV faz umas duas semanas, vi uma entrevista com o restauranteur do Folha de Uva e pensei em cozinhar alguns prátos árabes. O tempo estava curto ultimamente e só consegui volta pra cozinha hoje.

Cardápio: coalhada seca, tabule, couscous, charutinhos, arroz com aletria, abobrinha recheada e cordeiro. Desafio: fazer tudo em menos de 3 horas. Mãos à obra!

Cordeiro, abobrinha recheada, arroz com aletria, tabule, couscous, coalhada seca.

Refoque um pedaço de lombo de cordeiro (800 g) cortado em cubos com uma cebola pequena. Cozinhe por 1 hora com sal a gosto e água abundante. Reserve.

Afervente 500g de folhas de uva em água sem sal. Deixe descansar. Faça um corte reto em cada folha de uva na altura do cabo, removendo toda a parte dura da folha. Separe as folhas e reserve as partes que foram cortadas, elas serão usadas depois. Você acha folhas de uva no mercado municipal (eu comprei no Kote, no Mercado Municipal de Santo Amaro), em bons sacolões ou no Pão-de-Açúcar.

Misture 1kg de carne moída magra, 500g de arroz lavado e seco, 1 cebola pequena picada, 2 colheres de chá de pimenta síria (ba-har), sal a gosto. Acerte os temperos e deixe descansar. Se não tiver pimenta síria, use pimenta do reino, canela, cravo e noz moscada para obter um resultado aproximado.

Coalhada seca - Coloque um copo de iogurte natural em um coador de papel e deixei descansar por umas duas horas. Tempere com limão e sal.

Tabule - Umedeça o trigo para kibe com água potável e deixe descansar até absorver toda água; escorra o excesso. Acrescente pimentão vermelho, pepinos e cebolas picadas. Tempere com limão e sal. Hortelã opcional.

Couscous - Para 200g de couscous de semolina, acrescente 1 colher de azeite extra-virgem e misture. Acrescente o caldo de carne do cordeiro e mexa até absorver toda água. Não precisa levar ao fogo. Acrescente pimentão amarelo e vermelho picados, cebola picada, tempere com limão, azeite extra-virgem e sal.

Charutinhos de folha de uva - Faça bolinhas pequenas com o recheio; alongue as bolinhas formando rolinhos com no máximo um dedo de espessura. Coloque um rolinho de recheio na parte mais larga de uma folha; dobre as laterais sobre o recheio; dobre a parte de cima, fazendo uma trouxinha e comece a enrolar no sentido da ponta; deslize a mão sobre o rolinho até a ponta. Trabalhe com as folhas ainda úmidas para facilitar o fechamento. Use uma panela funda e de fundo grosso. Forre o fundo da panela com as partes descartadas das folhas de uva. Disponha os cubos de carne de cordeiro sobre as folhas. Disponha os charutinhos sobre a carne, formando uma flor, o mais justo possível. Ao terminar de dispor os charutinhos, cubra com água quente e suco de meio limão (não cozinhe charutos de folha de uva em molho de tomate!). Coloque um prato sobre os charutinhos durante o cozimento para fazer peso e evitar que eles flutuem e desmontem. Cozinhe por 40 minutos em fogo baixo.

Abobrinha recheada - Use o restante do recheio dos charutinhos para fazer as abobrinhas. Escolha abobrinhas italianas pequenas, de formato arredondado. Use uma ferramenta própria para tirar o miolo das abobrinhas e recheie com a carne moída. Cozinhe em molho de tomates por cerca de 40 minutos.

Arroz com Aletria - Frite cebolas em rodelas finas em pouco óleo e algumas pitadas de açúcar, até ficar dourada. Reserve. Na mesma panela esmague 4 ninhos de aletria para cada copo de arroz (outros nomes: macarrão cabelo-de-anjo, cappelini) e frite em óleo até ficar com uma cor caramelada. Acrescente alho fatiado e refogue o arroz. Acrescente duas medidas de água e acerte o sal. Enfeite com a cebola frita.

O segredo é organizar os ingredientes e preparar os pratos em uma ordem lógica. Alguns ingredientes precisam ser preparados antes e precisam de descanso, como a coalhada e a carne, ou precisam esfriar, como o couscous.

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