08/abr/08 22:18
A Bolha dos Widgets
Widgets, widgets, widgets. Widgets em toda parte. Será uma bolha?
O que é um widget afinal? Pode ser algo tão inútil quanto a simpática canequinha acima, ou um aplicativo que realmente faça sentido no contexto do seu site. O widget pode ser um “enfeite” para o seu blog ou a sua rede social (como a canequinha), mas também poderia ser um simulador de empréstimos de um banco em um site de educação financeira. Como em tudo na vida, é possível encontrar bons e maus exemplos de widgets, uns mais e outros menos úteis.
O que não me convence é querer transformar os widgets em uma ferramenta de “marketing viral”. Empresas investindo pesado para criar widgets com jogos e efeitos criativos, visando fixar a marca e esperando que as pessoas espalhem o widget para as outras. Só existe um problema, muito bem observado no artigo de Ben Kunz na BusinessWeek de 3/03: em uma rede social as pessoas estão “fazendo coisas”, estão construindo o site, estão interagindo, estão colaborando. É muito provável que alguém até coloque o seu widget na sua página como uma decoração, mas não mais do que isso. O modelo mental das pessoas interagindo com uma página de um site social é muito diferente daquele modelo mental de quem está pesquisando no Google ou acessando um site de notícias. O resultado pode ser um recall baixo.
Penso que parte desta expectativa inflada gerou o efeito de super-valorização das empresas que criam widgets. O que mais explica que empresas de fundo-de-quintal, como a RockYou, passem a valer milhões de dólares depois de produzir quatro ferramentas de slide-shows de fotos para páginas de redes sociais? Não quero desmerecer o trabalho técnico, que é realmente muito bom, mas simplesmente acho que não valem.
Apesar do efeito nefasto de bolha, que inevitavelmente vai provocar perdas para alguns em breve, a onda dos widgets vem causando uma quebra de paradigma na construção de páginas. Somado ao conceito de mashups, este tipo de tecnologia vai permitir cada vez mais que o próprio usuário tome controle do conteúdo que ele quer consumir e vai mudar radicalmente a nossa relação com o conteúdo. Enquanto isso, acompanho com interesse a evolução do OpenSocial.

