19/abr/09 23:44
Saudosismo
Não sei que sentimento se abate quando se juntam várias pessoas da mesma geração que logo começa o “lembra-de-tal-música-ou-tal-coisa”. Na última sexta-feira juntamos uma rodinha de pessoas na faixa dos 30 anos para almoçar e – inevitável – logo estávamos falando das “velharias” da nossa época:
- Mimeógrafo - quando as máquinas de xerox eram raras ou caras, e não existia nem ideia de computador pessoal, as provas da escola eram feitas nesse tipo de duplicador baseado em papel estêncil (com tinta) e álcool. Logo um gaiato lembrou que o melhor era o “cheirinho” da prova
- Cassiopeia – alguém se lembra desse dinossauro dos palmtops?
- Revista MicroSistemas – quem já era geek nos anos 80 tinha um micro Sinclair Z80 ou os equivalentes nacionais, o TK-82, TK-85, etc. E quem tinha um micro desses obrigatoriamente era leitor assíduo da revista MicroSistemas. Pra quem não viveu naquela época é difícil de acreditar: a revista trazia listagens de programas e jogos em Assembly (!) ou Basic. Nós gastávamos a tarde inteira de Domingo digitando os programas pra jogar um pouquinho, e como não existia dispositivo de gravação ao final do dia o trabalho todo era perdido. Até que inventaram o uso dos gravadores cassette para gravar programas… Quem ficou com saudades, visite o site Data Cassette e veja as outras revistas
- Programa Clip Informática da Rádio USP – por volta de 1986, a Rádio USP transmitia este programa nas tardes de sábado. A estranha “música” transmitida era nada mais nada menos do que o chiado de um modem que podia ser captado pelo rádio e gravado em fita cassette, e depois reproduzido no computador. Esse é o bisavô do download…
- Linguagens pouco conhecidas, obscuras ou esquecidas – quem já programou em LISP para calculadoras HP? E computação gráfica em Prolog? Mini-programas de uma linha em awk? E quem já participou de um desafio de poesia em Perl (Perl Poetry)? Fora as clássicas Fortran e Cobol. A lista é longa…
O que mais te traz boas leambranças, meu amigo geek?
Para mim…
. Revista “Nibble”: todo mes eu ia a unica livraria que vendia, no centro do Rio, gastar o que tinha para comprar a última edição.
. BBS: interface texto, conexão a 1900bauds, absolutamente fascinante.
. Karateka: por muito tempo, o jogo de computador mais fascinante e com melhores gráficos que eu tinha visto. Claro, depois veio o “Captain Goodnight” que era ainda melhor!
. Falando em Apple II, aliás: Locksmith, Copy II Plus, Take One, Print Master … todos clássicos … e olha que eu tinha um compilador Prolog para meu Apple.
. Para fechar a sessão Apple II: PR#6 !!!
. Picotadores de disquete: como comprar disquetes “single sided” e transformar em “double sided”.
. “CPS” (caracteres por segundo): a medida de velocidade das impressoras matriciais.
. Será que algum dia vou ter que comprar para meu filho alguma “folha de papel ao maço”?
Só não dá pra colocar o “Cobol” como linguagem de pouco uso ou esquecida … ainda tem MUITO uso.
Boas lembranças Mario! Bateu saudade dos meus tempos de Apple II, placa CP/M, dBase II, etc. Concordo com o comentário sobre Cobol, que ainda tem um mercado enorme. O contexto era das pessoas que participaram daquela conversa, todos do mundo web e para os quais Cobol ou Fortran não deixam de ser obscuras… Obrigado pela correção!
Cara, tinha o telex que trabalhei , fiz curso de Tal II naqueles computadores da Cobra 400 e o programa daquele computador pessoal que carregava com fita cassete ? o tk85 hahahaha
Sena,
Conforme já citado pelo colega nos comentários e por vc no seu post, me lembro bastante dos BBS que eram simplesmente o “máximo”.
Lembro de ter conseguido um MSX e passado várias horas seguidas carregando jogos em fitas K7 rezando para que não desse nenhum problema no jogo.
Uma outra coisa que me veio a memória agora, foi o famoso Genius (http://croozeus.com/blogs/?p=58), que nem era algo tão “geek” assim, mas era uma coisa tão divertida qto o cubo mágico (ou Rubik’s cube).
Para finalizar, havia a revista 2600 rolando pelo mundo, desde de 1984 (senão me engano), mas consegui meu primeiro exemplar apenas no final dos anos 80, o que fez com que eu mudasse minha visão a respeito de computadores e orelhões
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