Eu amo o circo, todos eles. Algumas das memórias mais claras que trago da primeira infância é estar no circo com meu pai. Circo na minha infância tinha bicho: leão, elefante, macaco. Tinha show de trapézio, equilibristas na corda, malabares. Tinha palhaço e mágico. Tinha o show da Monga, que a gente nem tinha noção de como era tosco… E só. Era um espetáculo repetido, quem via um circo já tinha visto todos. Mas ainda assim era um lugar mágico – olha o chavão – capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
De uns tempos pra cá o circo teve que se reinventar. A tomada de consciência ecológica fez cair a ficha da crueldade e maus tratos e tirou os animais de cena. A televisão, oferecendo seu entretenimento junk food, tirou a graça da inocência dos palhaços e mágicos. As diversões eletrônicas, as motos, o paintball tiraram a emoção do globo da morte. Em suma, o inusitado, a graça e a emoção se banalizaram e o velho circo morreu senil. Viva o novo circo!
O circo ressurgiu das cinzas, reunindo agora a música, o teatro, a cenografia caprichada. Os circos internacionais, como o Cirque du Soleil ou o Imperial da China, passaram a fazer temporadas anuais aqui nas nossas terras, trazendo muita emoção e suspense (inclusive na hora de comprar os ingressos, pois os preços são de arrepiar os cabelos).
Mas você não precisa ir longe, ou pagar caro, para conhecer o novo circo. Várias trupes locais realizam digníssimos espetáculos, que podem não ter o gigantismo de seus irmãos estrangeiros, mas não ficam a dever em criatividade e emoção. Lá vem o chavão de novo – mais do que nunca o circo é capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
Encerrou-se na semana passada a temporada em São Paulo do Circo Roda Brasil, que ficou por cerca de dois meses no Memorial da América Latina. Ainda é possível prestigiá-lo, em Americana, que está a cerca de duas horas de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes.

O espetáculo do Roda Brasil é rico em cenários, tem uma trama bem amarrada ao estilo do novo circo, rico em música e efeitos. Alguns números inusitados, que cativam a platéia, foram os Jumpers (um tipo de perna de pau com molas, na foto), um lindo número de capoeira, e incríveis acrobacias com patins em uma minúscula pista de obstáculos.
Outro circo maravilhoso neste mesmo estilo é o Circo Zanni, que se orgulha de ser o menor circo do mundo (a lona realmente é minúscula, mas o espetáculo é “gigantesco”!). O Zanni estará novamente em São Paulo, no mesmo Memorial da América Latina, a partir de 10 de Outubro. Não deixe de prestigiar o circo brasileiro!
(Por sinal, devo fazer um comentário sobre o Memorial. Sempre menosprezei este espaço, tão “frio” e com uma programação insossa. Devo reconhecer que ultimamente tenho frequentado muito o Memorial, e visto atrações muito interessantes: Festival Paulista de Circo, Anima Mundi, Encontro Nacional de Dança, a Festa Boliviana. Parabéns, Memorial. São Paulo merece usar melhor seus espaços públicos).