Arquivo de dezembro, 2010

Acabo de fazer o upgrade do Speedy de 2 Mbps para uma conexão de Fibra a 30 Mbps. A primeira impressão é fantástica, acessando a internet em um micro conectado fisicamente na porta Ethernet do roteador. Veja os gráficos de teste de antes e depois do upgrade:

Speedy de 2 Mbps

Speedy de 30 Mbps

No entanto, a maioria (se não a totalidade) das pessoas que assinarem uma conexão de ultra banda larga vão ter uma rede doméstica um pouco mais complexa, com vários micros e dispositivos, de preferência todos conectados por alguma forma de conexão sem fio.
Meu objetivo aqui é responder algumas perguntas:

  • Terei que atualizar a minha rede doméstica (roteador Wi-Fi, placas de rede)?
  • A qualidade do meu hardware, roteador e placas de rede tem impacto na velocidade?
  • A distância do meu roteador wireless tem impacto na velocidade?
  • O browser contribui para uma navegação mais rápida?
  • Dadas as condições perfeitas de banda larga, rede doméstica e hardware, vou conseguir usar minha conexão ao extremo?

Acompanhe e tire suas conclusões.

Ambiente dos Testes
Antes de mais nada é interessante descrever o local dos testes, meu apartamento. A conexão de internet está instalada no home office, que é um cômodo fechado. Além dos equipamentos no home office, outro local importante é a sala de estar, que fica a cerca de 15 metros, com várias paredes de dry-wall e duas portas no meio do caminho. Tenho um nettop (um PC pequeno, para usar aplicativos de media center) ligado ao home theather por HDMI. Não existe conexão de rede física, todo o acesso deve ser feito por wireless. Para piorar, o nettop fica em um nicho do home theather, piorando ainda mais a conexão.
Os demais equipamentos (notebooks, netbook, iPad, celulares com Wi-Fi) são usados em todos lugares da casa, como dormitórios, salas e varanda. Ou seja, uma típica casa geek…

Equipamentos e Métodos Usados nos Testes
Para os testes usei os seguintes equipamentos e softwares:

  • Roteador D-Link 655 (802.11N)
  • Micro Dell Dimension 5150 (P4 HT 3GHz, 3GB RAM), Windows XP, placa de rede 100 Mbps, ligado à porta Gbps do roteador, browser Chrome 8, , antivirus desligado
  • MacBook Pro (Core2 Duo 2.4GHz, 4 GB RAM), placa de rede wireless 802.11N, browser Chrome 8
  • Nettop Acer Aspire Revo (Atom 230, 2 GB RAM), Windows 7, rede wireless integrada Atheros AR5007EG (802.11G), browsers IE 8 e Chrome 8 atualizados, antivirus desligado
  • Adaptador de rede wireless USB Belkin N+ (802.11N)
  • iPad 3G + WiFi, IOS 4.2.1
  • iPhone 3GS IOS 4.2.1
  • Site para teste de performance Speedtest.net, tanto na web como em aplicativo móvel para o iPad e iPhone, usando sempre o mesmo servidor (Megatelecom, em Barueri)

Não tive nenhum rigor científico, mas tomei alguns cuidados. Cada teste foi repetido 10 vezes, e os valores informados são a mediana dos tempos e velocidades alcançados. Usei a mediana em lugar da média para que algum pico ou flutuação na rede não afetasse os resultados.
Os valores apresentados nos gráficos são as medianas dos valores apresentados pelo Speedtest.net. As métricas do Speedtest são:

  • Ping – mede a latência em milissegundos, na verdade é um teste de resposta de um servidor web e não um ping por ICMP. Quanto menor este valor, melhor será o tempo para iniciar alguma atividade de rede, como um download ou início de carga de uma página web
  • Download – compare este valor com o valor nominal da sua conexão de banda larga. Por exemplo, se a minha conexão é de 30 Mbps eu devo esperar ver valores próximos a este valor aqui. Quanto maior este valor, melhor será o tempo para baixar arquivos ou mais rápida será a carga dos sites
  • Upload – normalmente este valor não é muito divulgado pelas operadoras. Por exemplo, na minha conexão este valor é de 5 Mbps. Quanto maior este valor, melhor será o tempo para enviar arquivos ou enviar emails, por exemplo.

Terei que atualizar minha rede doméstica?
Pela descrição do ambiente acima dá pra ter uma ideia de que a conexão Wi-Fi no home theather já não era ideal. No entanto, esta deficiência não era tão perceptível com uma internet de 2 Mbps.
A maioria dos notebooks até hoje dispõem de placas wireless nos padrões 802.11B (permite conexões até 10 Mbps, só nos equipamentos mais velhos) ou G, (permite conexões até 54 Mbps, as mais comuns hoje). Apesar da velocidade de 54 Mbps parecer suficiente temos que pensar que esta velocidade só é obtida em condições ideais, com o seu equipamento “em cima” do seu roteador Wi-Fi. Em situações mais realistas os seus equipamentos vão estar distantes e você terá paredes e outros obstáculos, e a sua velocidade da rede local pode ser bem menor, e pior do que a velocidade teórica da sua conexão de banda larga.
Foquei os testes no pior local, o micro do home theather, e no melhor local, na mesma bancada do roteador Wi-Fi no home office. O primeiro teste foi comparar a performance da placa de rede padrão do nettop, uma placa integrada 802.11G (que portanto permitiria 54 Mbps teóricos), com uma placa de rede USB no padrão mais novo, o 802.11N (que permite velocidades teóricas de 300 Mbps, e um alcance maior).

Comparação 802.11G, 802.11N e conexão física


Interpretação: como seria lógico, o PC ligado por cabo diretamente no roteador teve os melhores resultados de ping e download. Note como a troca da placa de rede do nettop teve um resultado dramático na performance do computador do home theather. Apesar do local inadequado e longe do roteador, é possível conseguir uma velocidade de download muito decente, ao redor dos 17 Mbps e um upload de quase 7 Mbps (apesar da operadora informar que o limite é de 5 Mbps). Importante: perceba que o nettop com placa 802.11G atingiu apenas 1,7 Mbps, ou seja, a performance dele é a mesma de quando a conexão de internet era de apenas 2 Mbps.
Conclusão: nem pense em instalar aquele roteador 802.11G que a operadora deixa de brinde. Se você pretende contratar uma ultra banda larga (qualquer coisa acima de 4 ou 8 Mbps), substitua imediatamente o seu roteador atual por um bom roteador 802.11N e atualize as placas de rede dos principais micros que se conectarão por wireless, se possível. Do contrário é melhor manter sua conexão de internet de até 4 Mbps.

A qualidade do meu hardware, roteador e placas de rede tem impacto na velocidade?
Será que a qualidade do equipamento afeta a velocidade da internet? É difícil responder sem fazer um teste mais extenso. Para ter uma ideia aproximada, fiz testes com equipamentos variados, desde um telefone, passando por um PC antigo até um MacBook novo. Todos os testes foram feitos por wireless na sala do home theather, exceto pelo PC que está conectado por cabo Ethernet no roteador.

Qualidade do hardware é importante


Interpretação: o valor de ping do iPhone foi omitido para não distorcer o gráfico, mas foi de 90,5 ms. É interessante perceber que os números do MacBook são muito próximos aos do PC ligado fisicamente ao roteador, mesmo estando o notebook em uma condição de rede ruim, distante do roteador, com portas e paredes no caminho. Curiosamente, os valores de upload de todos os equipamentos foram melhores do que o upload do PC. Não dá para perceber neste gráfico, mas no próximo sim, que a performance do iPad e iPhone foi praticamente a mesma estando longe ou perto do roteador, o que leva a crer que não houve um problema de performance, mas uma limitação própria do equipamento, e ainda assim com uma performance muito boa. A qualidade dos componentes e da construção de hardware da Apple é famosa, e tenho certeza de que se o teste for feito com outros fabricantes também de primeira linha e com placas de rede e roteadores de qualidade os resultados serão parecidos.
Conclusão: invista em boas placas de rede e roteadores, eles fazem muita diferença. Por exemplo, prefira comprar um roteador Airport Extreme a um roteador de segunda linha ou sem marca se você quiser desfrutar ao máximo a sua ultra banda larga.

A distância do meu roteador wireless tem impacto na velocidade?
Pelos testes até agora, parece lógico, mas vamos comprovar. Repeti os testes, mas agora usando os equipamentos na sala e no home office (exceto pelo nettop e do PC, pois estes estão fixos nas suas posições).

Distância do roteador


Interpretação: surpreendentemente, os valores não tiveram uma diferença significativa (exceto pelo iPad, que teve uma perda de 25% de performance entre estar ao lado do roteador e no pior ponto de acesso, mas ainda assim com um ótimo download de 15 Mbps). Por outro lado, como já testado no nettop com sua placa de rede integrada, a performance era muito ruim. O que o MacBook, o iPad e o iPhone tem em comum (além da marca da Apple)? Hardware de primeira.
Conclusão: a não ser que você tenha o privilégio de poder cabear fisicamente toda a sua casa, provavelmente você vai preferir a liberdade de um acesso sem fios. Se a sua casa é grande você pode montar uma rede com mais de um roteador. Ainda assim, para desfrutar bem da sua ultra banda larga invista em um bom roteador e placas de rede de boas marcas.

O browser contribui para uma navegação mais rápida?
Queria tirar a limpo a impressão de que o Internet Explorer é mais lento. Fiz então os testes com o IE 8 e com o Chrome 8 no micro do home theather. Os dois browsers foram devidamente atualizados, desliguei os plug-ins e extensões, e desativei o antivírus durante os testes. No MacBook não posso testar o IE, mas incluo os resultados do Chrome 8 na mesma sala, para efeito de comparação.

Comparando IE 8 e Chrome 8


Interpretação: pode parecer pouca diferença, mas na verdade o ping no Chrome foi 25% melhor (o que dá uma sensação de início de carga muito melhor) e o Download foi 10% melhor. Sem comentários para os resultados do MacBook, o gráfico já diz tudo.
Conclusão: se você quer fazer a sua nova conexão de ultra banda larga voar, coloque o Chrome como seu navegador padrão e esqueça o IE de vez. Desative a maior parte das extensões e plug-ins; a maioria destes penduricalhos é inútil.

Dadas as condições perfeitas de banda larga, rede doméstica e hardware, vou conseguir usar minha conexão ao extremo?
Esta é a questão mais capciosa. Depois de contratar a melhor banda larga, atualizar seu roteador e suas placas de rede, trocar de browser, você abre o VEVO 1080HD e… buffering! Você abre o BitTorrent (só pra testar :o ) e descobre que a velocidade de download é a mesma, ou pouca coisa melhor, do que da sua conexão anterior de 2 Mbps. O que acontece?
Para chegar na maioria dos sites que acessamos vamos encontrar vários outros gargalos além da nossa velocidade de conexão. Sites menores simplesmente não estão preparados para atender uma grande quantidade de clientes com esta velocidade. Sites maiores (como o VEVO) usam CDNs (redes de distribuição de conteúdo, a grosso modo um cache mais próximo de quem consome o conteúdo), mas aquele conteúdo que você quer acessar talvez não esteja em um ponto de rede próximo a você, ou algumas destas CDNs não tem nós no Brasil. No caso do BitTorrent, o racional é mais prosaico: você está baixando o conteúdo de outros peers, que tem conexões de rede piores que a sua. A sua velocidade de download foi multiplicada por 10 ou 15 vezes, mas a velocidade de upload de quem está fornecendo o conteúdo continua a mesma.
Atualização: este comentário serve para aqueles conteúdos menos populares, com poucos seeders, como um seriado de alguns anos atrás. No caso de conteúdos com muitos seeders, você vai ter sim uma vantagem de performance. Por exemplo, baixei alguns episódios da semana de seriados populares, em HDTV 720p. Os arquivos de 1,09 GB cada foram baixados em cerca de 31 minutos cada, o que dá uma velocidade de download bem respeitável de 586 KB/s ou quase 5 MB/s.
Então, não vale a pena ter uma conexão tão rápida? Depende da sua finalidade. Se você pretende simplesmente baixar conteúdos pelo BitTorrent e esporadicamente navegar e assistir vídeos na Internet, é melhor você ficar com uma conexão de até 8 Mbps. Por outro lado, se você joga online, faz downloads e faz milhares de coisas em paralelo, uma internet de ultra banda larga é o céu na terra.

Conclusões
Se você está pensando em fazer um upgrade para ultra banda larga, aqui vão algumas recomendações:

  • Analise o seu perfil de uso antes de decidir. Se você é techie, tem equipamentos razoavelmente novos ou pretende investir, joga online e baixa conteúdos, a ultra banda larga é pra você. Se você principalmente assiste vídeos online e navega, talvez não precise de uma conexão maior do que 4 Mbps.
  • Cuidado com as ofertas boas demais para serem verdade. Pergunte se o valor do plano que você está aderindo é promocional ou se é o valor definitivo. Fuja de taxas de instalação.
  • Agora que você já contratou uma ultra banda larga, prepare-se para investir pelo menos R$ 1.000 em atualização dos seus equipamentos. Compre um bom roteador wireless, como o Apple Airport Extreme, um D-Link 855 ou um Belkin Wireless N+. Naqueles micros que servem como mídia centers ou onde você vai baixar conteúdos, troque as placas de rede ou conecte um adaptador USB para o padrão 802.11N como o que eu usei, ou ainda faça um cabeamento físico. Se você tiver um pouco mais de caixa invista também em um bom storage de rede (prometo um post em breve sobre o meu Drobo FS).
  • Se você trocar suas placas de rede, não utilize os drivers que vem no CD da caixa. Baixe a última versão atualizada no site do fornecedor. No meu caso, com a placa Belkin USB N+, ao usar os drivers que vieram no CD a conexão caía de tempos em tempos, e a performance oscilava bastante. Ao atualizar os drivers a conexão ficou bem estável e a melhora na performance foi perceptível. Resumo: não importa o fabricante, baixe os drivers mais atuais.
  • Use um browser mais moderno e enxuto, como o Chrome 8, ou pelo menos investigue todas as quinquilharias que o IE tem instaladas como extensões. A maior parte das extensões é inútil e deixa o carregamento inicial do programa mais lento, bem como a navegação.

E você, já está usando alguma internet de ultra banda larga? Conte suas experiências!

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