Arquivo de Cultura

Os contrastes de São Paulo

Nesta semana recebi dois colegas de trabalho, um espanhol e outro italiano, e combinamos de conhecer um pouco da cidade no pouco tempo livre que teríamos. Como fugir do lugar comum deste tipo de passeios, do circuito-gringo “avenida-paulista-churrascaria-ibirapuera-feijoada”?

Em uma reunião de trabalho tiramos fotos com celular do alto de um edifício. A vista é linda, mas reforça a imagem de que a cidade é uma selva de pedra.
pano-edabril.jpg


Sexta-feira, 14:00, fim das reuniões. Ligamos para a Dona Edilene, a simpática esposa do Estevão Silva da Conceição e agendamos a visita. Estevão é um artista talentoso, pouco conhecido da maioria dos paulistanos. Ele mora na favela do Paraisópolis, nome que causa arrepios a muita gente que não faz nem idéia de onde ela fica.

Tomamos a Av. Giovanni Gronchi e entramos pela R. Dr. Flavio de Carvalho, até o posto de gasolina. Passam por nós um BMW e uma Pajero Full. Encostamos no posto para pedir informações: é aqui mesmo. Subimos pela R. Jeremy Bentham (ou “Jeremias Bento”, segundo o frentista), pela contramão… Os estrangeiros se decepcionam com a favela. Tudo muito limpo, asfalto novinho, ônibus passando. Logo eles se encantam com as crianças brincando na rua. Subimos umas três ruas e viramos à esquerda na R. Herbert Spencer, 38

Dona Edilene nos recebe e explica que Estevão não está. Estevão se dedica diariamente até as 11:00 a cuidar da casa, expandindo, modificando e limpando. Das 11:00 às 23:00 ele volta à sua profissão de jardineiro em um condomínio na cidade. Com os donativos recebidos dos visitantes, Estevão pode comprar a
infinidade de objetos, cimento e ferro que usa para a sua obra em eterno movimento.

Quem teve o prazer de visitar Barcelona não se contém e pergunta se ele já conhecia Antoni Gaudi (veja a fachada da Casa Batlló e confira a surpreendente semelhança de estilo). Há 23 anos, quando iniciou o que seriam os suportes para os seus vasos no jardim, era taxado de louco, e não tinha a minima idéia de quem fora o arquiteto espanhol. Hoje já teve a oportunidade de gravar um documentário em Barcelona e de conhecer as obras do catalão. Falta o reconhecimento dos paulistanos, já que a maioria dos visitantes é estrangeiro.

Saindo da casa de Estevão fomos dar uma volta pela favela, subindo pela R. Iratinga e virando na R. Melchior Giola. Basta desarmar-se dos preconceitos e agir com naturalidade, e logo você está interagindo com todos. As crianças adoram tirar fotos e algumas nos cercam, outras espreitam desconfiadas. Paramos para ver uma pelada de futebol em um organizado campinho, que tem até arquibancada e gradil. Em uma lan house improvisada um grupinho joga Playstation 3. Um grupo de bêbados pede para que lhes tiremos fotos e nos leva para conhecer outro patrimônio da favela, o Berbela.

Berbela, ou Edinaldo da Silva, é serralheiro no horário comercial. Quando termina o expediente, ali mesmo, ele começa a mexer nas suas esculturas. Mas ele é conhecido mesmo pelas suas motos e bicicletas. Quando eu cheguei, Berbela estava instalando uma bateria de carro em uma das suas criações, então lhe perguntei se era uma moto. “Não, é uma bicicleta”. Então, qual é o motivo para a bateria? “Para o DVD”. Confira no vídeo o motivo do meu queixo caído.

Sábado, 7:00. Vamos provar que São Paulo não é só pedra. Combinamos com o guia da Silcol uma trilha na APA Capivari-Monos. A APA (área de proteção ambiental) abriga duas colônias indígenas, uma colônia alemã, uma colônia japonesa, cachoeiras, rios e muita mata. Pegamos a Av. Interlagos até o autódromo, e então seguimos até a Av. Teotônio Vilela, 8000, onde fica o Posto de Atendimento ao Turista. Dali até a trilha propriamente dita vai mais uma hora de carro e ainda estamos dentro da cidade de São Paulo.

Há várias opções de trilha, desde as mais fáceis como a da Cachoeira do Sagüi até uma sofisticada descida pela mata até Itanhaém, onde uma van o estará esperando no litoral após mais de 8 horas de caminhada. Na Cachoeira do Sagüi é possível ver o Rio Capivari, o último rio limpo da cidade de São Paulo, além da exuberância da mata atlântica. Na volta tivemos a sorte de ver uma reovada de tucanos, que pousaram a poucos metros de nós em um pé de açaí.

Conheça mais São Paulo e se apaixone!

Para agendar:

  • Estevão Silva da Conceição (Casa de Pedra) - 3773-7135
  • Edinaldo da Silva (Berbela) - 3746-6273
  • Silcol (eco-pousada e trilhas na APA Capivari-Monos) - 5971-1207
Blogged with the Flock Browser

Tags:

Comentários

Uma nova geração de entretenimento (?)

Viagem ao Centro da Terra 3D Estreiou neste final de semana o novo filme 3D, a Viagem ao Centro da Terra. O canastrão Brendan Fraser, da franquia “A Múmia“, é o produtor e protagonista. O filme tem um fiapo de roteiro, mas cumpre muito bem o papel de divertir. Não sei como ficam em 2D as piadas que se apóiam fortemente no 3D, portanto recomendo que você assista o filme em uma das salas RealD (Eldorado/SP, MarketPlace/SP, Downtown/RJ e Floripa Shopping), senão você vai ficar só com a canastrice do galã.

A minha intenção aqui não é fazer uma resenha de cinema, mas pensar sobre a nova geração do entretenimento. O cinema 3D veio (voltou) para ficar (até quando?). As primeiras experiências com 3D datam de 1922. No entanto, a primeira onda avassaladora do cinema 3D aconteceu nos anos 50, na tentativa de trazer as pessoas de volta às salas de cinema depois do advento da onipresente televisão. Talvez você já tenha visto um filme usando aqueles toscos óculos de lentes vermelhas e azuis, como na foto ao lado, de J.R.Eyerman (1952). Nas décadas seguintes ainda foram produzidos alguns filmes em 3D, mas sem o mesmo efeito de atração das massas da década de 50.3D Glasses - J.R.Eyerman, 1952

Nos últimos anos as atenções se voltaram novamente para o 3D. Os primeiros filmes do novo milênio, já no formato IMAX, ainda tinham o inconveniente da tecnologia imatura. Quem teve a chance de assistir o patético Pequenos Espiões 3D deve se lembrar da dor-de-cabeça, seja pelo uso dos óculos bicolores, seja pelo pavoroso roteiro…

Os filmes de animação foram então alçados aos candidatos ideiais para o cinema 3D, pois os softwares que os produzem já contém as informações de profundidade necessárias. Um excelente exemplo dessa safra de animações em 3D é A Casa Monstro, que além de tudo ainda conta uma bela história (este vale-a-pena assistir mesmo sem os efeitos 3D). Outras bobagens divertidas desta fase são o Galinho Chicken Little e Meet the Robinsons.

Agora chegamos em um novo patamar: filmes em 3D, com atores de verdade, sem dor-de-cabeça! E não é um experimento isolado. A Viagem ao Centro da Terra não é o primeiro filme em 3D, mas certamente é o primeiro desde os anos 50 com potencial de atrair as massas ao cinema e de ressuscitar definitivamente este filão. Além dos filmes, outros eventos em 3D também vão atrair os expectadores ao cinema, como com os shows do U2 e da Hannah Montana.

Você já assistiu algum dos últimos lançamentos em 3D? Qual foi a sua experiência?

Blogged with the Flock Browser

Tags:

Comentários

Festa da Cerejeira, Yakisoba e Taikô

Várias cidades comemoram nesta época a florada das cerejeiras em tradicionais festas japonesas. Como fazemos todos os anos, fomos atrás do melhor Yakisoba: na Festa da Cerejeira de Suzano!

Esta foi a XXIII edição, no Bunkyo (Associação Cultural) de Suzano. Apesar de ser uma festa relativamente nova, esse costume de comer Yakisoba lembra da minha infância, quando Suzano (minha terra natal) ainda era conhecida como Cidade das Flores, e ainda existia a festa da Bienal das Flores. Que delícia!

É muito legal você ver o preparo do Yakisoba. São pelo menos umas dez chapas, dessas de lanchonete, como na foto aí do lado, onde eles fritam (yaki) o macarrão (soba; aha!).
Do outro lado, um batalhão de senhoras japonesas, além dos netos e familiares, cortam caixas e mais caixas de legumes frescos e preparam tudo em enormes tachos. Deve ter umas 30 a 40 pessoas envolvidas no preparo a cada momento; é impressionante.
Além do famoso Yakisoba, você pode provar o Udon (sopa de macarrão), Harumaki (os rolinhos de primavera), Makisushi (aquele sushi mais tradicional, de pneuzinho)…

Mas a festa não é só comilança. Você pode jogar uma emocionante (!) partida de Gateball, um cricket japonês.

A minha atração preferida é a apresentação de taikô (tambor japonês). Na primeira “música”, além do palco eles ocuparam também as primeiras filas da platéia. Era possível sentir o chão tremer!

Blogged with the Flock Browser

Tags:

Comentários

Dia do Rock!

Feliz Dia do Rock! Todos gostam de listas, inclusive eu. Aqui vai minha playlist do dia, sem a pretensão de ser a lista das “melhores”. É só minha homenagem, com músicas que eu gosto. Qual é a sua lista?


Aproveite e conheça o Playlist.com. Compartilhe suas playlists!

Comentários

Balé da Cidade: 40 Anos

O Balé da Cidade de São Paulo faz 40 anos e comemora com o lançamento mundial da coreografia “Canela Fina”, de Cayetano Soto.

Tal qual a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo tem a Sala São Paulo, o Balé da Cidade tem o Teatro Municipal como sua casa preferida. E tal qual a OSESP, o Balé da Cidade é um orgulho para a nossa cidade. O paulistano ou visitante que ainda não conhece o Teatro Municipal não sabe o que está perdendo.

O Teatro data de 1911, e tem uma fachada renascentista inspirada na Ópera de Paris. O Teatro está na Praça Ramos de Azevedo, arquiteto responsável pelo seu projeto. Integrados ao mesmo conjunto arquitetônico estão outros importantes edifícios, como o Shopping Light e a Prefeitura Municipal (Edifício Matarazzo, ou Banespinha).

Ao visitar o Teatro preste atenção aos postes de luz, feitos de ferro fundido e  reformados recentemente.  Atente também para as esculturas que adornam ricamente a fachada.

Dentro do Teatro, atente para a escultura de Victor Brecheret, na entrada do salão do café.

No piso superior, visite a sala dos espelhos, aparentemente uma réplica menor do Grand Foyer do Palais Garnier, da Ópera de Paris. Esta sala é ricamente decorada com vitrais, pinturas no teto, metais e espelhos, e acomoda exposições temporárias como roupas e objetos de cena, fotografias de época ou comemorativas, como a atual em comemoração aos 40 anos do Balé da Cidade.

O espetáculo desta semana contou com a apresentação de três coreografias: Dualidade@BR, Canela Fina e Perpetuum. Dualidade@BR é de 2001, e tem a cara do Balé da Cidade: vigoroso, quase atlético, levemente sensual. Canela Fina é uma estréia mundial, coreografada em parceria com o Liceu de Barcelona. O grande impacto de Canela Fina são os 100 kg de canela que são despejados no palco, espalhando o seu cheiro e expandindo a experiência sensorial da platéia. A divertidíssima Perpetuum é uma releitura pós-moderna de valsas clássicas, e consegue abusar de “modernices”, como uma dança de mais de cinco minutos sem som, sem ser modorrenta. Em vários momentos a platéia não se contém e chega a rir das criativas coreografias.

Se você ainda não conhece, visite o Teatro Municipal e aproveite a riquíssima programação de 2008, a preços bastante populares.

Blogged with the Flock Browser

Tags:

Comentários

Final de Semana em Itu

Eu e minhas filhas adoramos andar a cavalo. Seguindo a dica do amigo Daniel Dalcaro, fomos conhecer o Centro Hípico Campanário, em Itu. Encontramos muito mais do que esperávamos…

É muito fácil chegar lá. Saindo de São Paulo pela Bandeirantes, pegue a saída para Itu, no km 59 (Rod. D. Gabriel). Siga na D. Gabriel até o km 84 e pegue a estrada da Concórdia. Depois de 4 km de uma boa estrada de terra, pegue a esquerda na bifurcação e ande mais 1 km. Você vai passar em frente ao Armazém do Limoeiro e a igreja.

O Haras é novinho, tem chalés para acomodação, comida deliciosa e vários cavalos para todos os gostos. Prefira ir no sábado de manhã, e você terá praticamente toda a atenção para si.

Na saída do Haras resolvemos parar no Armazém do Limoeiro. Você pode pedir uma cervejinha e ficar ouvindo moda de viola, de raiz. Peça ao Seu Clemente para contar a deliciosa história do Armazém (fundado em 1901) e da Fazenda da Concórdia. Cada foto do armazém tem um motivo e uma longa explicação, bem pitoresca e pausada. As pessoas que vão entrando no armazém, todas vestidas “a carater”, vão se juntando à conversa e contando outros “causos”. Você mal percebe e se passaram algumas horas de conversa fiada, cerveja e moda de viola. Na saída, Seu Clemente nos convida para a missa de domingo.

No dia seguinte, um domingo, retornamos para a missa das 8:30 na capela que fica entre o armazém e o haras. Capela muito simples, cabem no máximo 50 pessoas. Todos se conhecem e logo cumprimentam e fazem festa para os “visitantes de São Paulo”. A missa toda é acompanhada por um casal de violeiros. Após a benção final, a maior surpresa: sobem ao altar os “Violeiros de Deus”. Três exímios violeiros e dois cantores afinadíssimos, entoam um repente sobre a liturgia do dia.

Terminada a missa, todos se dirigem para o salão ao lado da capela, para compartilhar pão caseiro e café fresquinho. Tudo muito simples, gente muito boa. Uma experiência fantástica.

Após a missa aproveitamos para conhecer a cidade de Itu, distante cerca de 15 minutos dali. A primeira boa surpresa, logo ao chegar ao centro histórico, foi encontrar uma pequena mas bem cuidada exposição do Aleijadinho no Regimento Deodoro. O centro histórico impressiona pela conservação dos prédios: museus, casarões, igrejas.

Na volta, uma passadinha na fazenda do Chocolate. Foi a decepção do passeio, pois é tão cheio de gente que não dá pra aproveitar a beleza do lugar. O ponto alto da fazenda foi encontrar esse tucano solto em uma árvore.

Blogged with the Flock Browser

Comentários

Fotos Panorâmicas

Sabe quando você vê aquela imagem impactante, de encher os olhos, mas ela simplesmente transborda os limites da sua simples câmera fotográfica? Que tal montar uma foto panorâmica?

Plaça de Catalunya

Montei esta foto a partir de 27 fotos diferentes, tiradas da Plaça de Catalunya, em Barcelona. Para montar as suas fotos panorâmicas, você vai precisar do software Autostitch. Algumas dicas:

  • Tire muitas fotos!
  • Tente tirar todas as fotos a partir da mesma posição, no mesmo horário
  • Não se esqueça de fotografar também o céu
  • Monte os seus stitches em baixa resolução, veja o resultado e depois mande processar em alta resolução. Demora horrores!

Aproveite pra ver mais algumas fotos minhas de Madri e Barcelona.

Blogged with the Flock Browser

Comentários

Parque das Bicicletas

Ao lado do Parque do Ibirapuera, no cruzamento da Av. Indianópolis com a Av. Ibirapuera, fica o Parque das Bicicletas. O parque dispõe de um percurso de 1,1 Km bem conservado e limpo. Você nem precisa se preocupar em levar a sua bike, pois você pode alugar uma ali mesmo, na entrada da Al. Iraé. Pra quem vai pedalar com a criançada é uma opção bem melhor do que o Parque do Ibirapuera.

Você ainda pode admirar as esculturas de João Monteiro, que parecem estar em movimento, em uma animada partida de futebol.

Ginga Canonizada, João Monteiro

Comentários

Festa Nacional do Índio

Em comemoração ao Dia do Índio, visitamos hoje a VIII Festa Nacional do Índio, em Bertioga-SP. A festa vai até o dia 20/04 na enseada de Bertioga, próximo ao forte. Participe, a experiência vale muito a pena!

Existem duas grandes tendas. Na primeira acontece uma exposição das várias etnias que participam da festa, vindas de todas as partes do Brasil e algumas de outros países. O espaço dedicado a cada etnia é pequeno e um pouco mais de informação seria bastante útil. No geral, é fantástico poder ver tantos povos diferentes convivendo no mesmo espaço.

Na segunda tenda foi armada uma arena com arquibancada, onde se pode presenciar jogos, danças e rituais de cada etnia. Assistimos apresentações dos índios Paresi Haliti (futebol de cabeça), Bororo, Yawalapiti, Xavante, Ashaninka, Kuikuro (flautas gigantes), Shanenawa e Quéchua (Peru).

AshaninkaFiquei bastante impressionado com os Ashaninka. Eu desconhecia totalmente esta etnia do Acre, que se considera aparentada dos Incas. Tudo parece confirmar essa teoria: eles são mais altos do que as demais etnias, usam mantas de corpo inteiro, tem feições parecidas com a dos andinos, usam instrumentos como a flauta de pã e o tamborete. Apesar de parecerem muito sérios, fizeram uma tremenda festa, chamando as outras etnias e toda a arquibancada a descer e dançar. O resultado você confere na foto abaixo, onde você pode ver brancos, negros, japoneses, ashaninkas, xavantes, shanenawas…
Final da dança dos Ashaninka

Além da presença hegemônica das sandálias Havaianas nos pés de todos, capturei algumas cenas curiosas. Você pode ver todas as fotos no Flickr. Não foram poucos que presenciei usando celulares, máquinas digitais ou contando dinheiro. A tecnologia pode destruir os laços que ainda mantém estes povos, mas também pode servir para divulgar e preservar a sua cultura.

Karajá
Alguém notou o brasão do Corinthians no bracelete deste índio Karajá?

Guerreiro Shanenawa filmando
Guerreiro Shanenawa filmando a disputa de cabo-de-guerra feminino com as Bororo

Que saudades de casa...
Que saudades de casa…

Tapaxó
Pra mim? (Tapaxó)

Comentários (1)

Mercados Centrais

Eu acredito que uma boa forma de conhecer uma cidade é pelo seu Mercado Central. Lá você encontra os produtos da terra, os artesanatos mais originais, a comida típida, a diversidade de fisionomias e costumes.

Recentemente estive no Mercado Central de Fortaleza, que eu já conhecia. Já não me lembrava muito, mas fiquei decepcionado com a pouca variedade. O primeiro piso basicamente tem boxes que vendem as rústicas delícias cearenses: castanhas, rapaduras, doces de caju e outros doces secos. Rodei quase todos os boxes e não encontrei um doce que conheço na minha família como “tijolinho” e que também se chama canjirão. É um doce quadrado em formato de rapadura, mas de consistência macia, feito de farinha de castanha de caju, mel de caju e farinha de mandioca. É uma delícia! Infelizmente o doce estraga muito rápido, portanto você só consegue comprá-lo fresco na região dos meus pais, em Aracati. O segundo piso do mercado só tem rendas, bordados e semelhantes, e o terceiro só tem lembranças. Nada de coisas frescas e comidas da terra.
Mercado de Fortaleza

Hoje estive em Porto Alegre, e revisitei com alegria o Mercado Público. Ele continua elegante, limpo e bem sortido. Este mercado lembra em muito os mercados de São Paulo, com bons açougues e com destaque para a qualidade dos pescados frescos. Outra semelhança é a revitalização do ambiente com a criação de praças de alimentação. Não deixe de tomar um sorvete com nata na Banca 40 (à direita na foto).
Mercado Público de Porto Alegre

Almocei no Gambrinus, restaurante de 108 anos, onde você pode saborear um delicioso pescado, com destaque para a Tainha das sextas-feiras. Uma curiosidade do Gambrinus é a cadeira do Lupicínio Rodrigues, assíduo freqüentador e famoso compositor de sambas-canção, marchinhas de carnaval e o hino do Grêmio. Lembra as homenagens de outras terras, como as mesas reservadas de Jorge Luís Borges no Café Tortoni e de Julio Cortázar na confitería London City, ambas em Buenos Aires.
Gambrinus, Mercado Público de Porto Alegre

Se você vive em São Paulo, você já deve conhecer o Mercado Municipal da Cantareira. Se ainda não conhece, não perca. Quem como eu vive na zona Sul, conheça também o Mercado Municipal de Santo Amaro, bem menor do que o outro, mas também perfeito para encontrar aquele ingrediente difícil ou uma carne de qualidade.

Por falar em viver em São Paulo, veja o bem sacado post de Flávio Mendes sobre morar x viver. Concordo plenamente com ele, e declaro que eu Vivo em São Paulo e, sim, é muito bom!

Comentários (1)

« Publicações anteriores ·