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Confuso com tantos buscadores e não sabe qual escolher? Ou você é conformista e usa – como os quase 95% de internautas brasileiros – o bom e velho Google, e nem pensa em arriscar uma “traidinha”?
Já faz algum tempo que coloquei o Bing como minha página inicial. Como havia dito naquela data, ainda acho que os resultados do Bing são excelentes para um norte-americano, que se expressa unicamente em inglês, e tem interesses bem concretos, como realizar buscar sobre produtos para comprar. Para nós, tupiniquins, continuo frustrado com os resultados pobrezinhos. Para nós, o Bing ainda continua tão ruim como o Live! Search, mas com fotos deslumbrantes todos os dias na homepage. Acho que só mantenho o Bing na minha home por causa das fotos…
Para ajudá-lo a tomar sua decisão, meu caro amigo, aqui vai a dica de um “teste cego” dos buscadores. Este site foi desenvolvido por um programador da Microsoft, mas não é tendencioso. Ele simplesmente faz o que promete: enviar a busca para os três buscadores, sem revelar quem é quem. Depois que você indica qual foi o melhor resultado, ele informa os nomes dos buscadores. Para mim foi a comprovação do que eu já imaginava, para buscas em português continua dando Google na cabeça. Espero que o Bing siga evoluindo e traga algumas das suas inovações para a língua de Olavo Bilac, inculta e bela…

Semana movimentada, hein? Teve anúncio da Microsoft (Bing), anúncio do Google (Wave), start-ups interessantes (Siri), pouco tempo depois do lançamento do Wolfram|Alpha. O assunto de agregação de redes sociais e ferramentas de comunicação (Google Wave) também me interessam, mas deixo os comentários sobre o Wave para o próximo post. Agora vou refletir um pouco sobre as outras três ferramentas, que tem de comum algo de conhecimento estruturado, ou computacional.

Wolfram|Alpha
O Wolfram|Alpha foi lançado no dia 15, com grande alarde e expectativas. Apesar de ter gente comparando-o ao Google ou ao Wikipedia, ele é um animal de outra espécie, e tem semelhanças tanto com o Bing como com o Siri. O objetivo declarado do Wolfram|Alpha é criar modelos matemáticos sobre uma grande variedade de fontes de dados para modelar o conhecimento em áreas específicas. Por exemplo, você pode fornecer questões objetivas, tais como o nome de um país ou de uma pessoa famosa para obter informações como a população e o PIB, ou a data e local de nascimento. Se você é um pesquisador ou estudante de ciências exatas vai se deliciar com ele. Você pode fornecer qualquer equação para receber a plotagem gráfica, sua integral e derivada, fórmulas alternativas, etc. Uma observação: todas as consultas devem ser feitas em Inglês, e em alguns momentos você precisa usar determinados símbolos matemáticos. Para consultas bastante objetivas é muito prático, por exemplo, “internet users brazil,usa”.

Microsoft Bing
A primeira polêmica do Bing foi por causa do seu nome (Bìng pode ser traduzido como doença em mandarim). Até o Sergey Brin, do Google, se divertiu com o nome. Depois do Microsoft Live, que lido ao contrário é “Evil”, parece até de propósito. Quem sabe o nome anterior, “Kumo”, daria menos dor de cabeça…

Em primeiro lugar, o Bing ainda não está disponível. O Bing tem um objetivo semelhante ao Wolfram|Alpha, mas sem explicitar tanto os modelos matemáticos por trás da ferramenta (pudera: Stephen Wolfram, o criador do Wolfram|Alpha é um matemático famoso e fez fortuna graças ao seu software Mathematica). O mantra do Bing é “o mundo não precisa de um novo buscador, precisa de um solucionador de problemas”, o que já deixa claro seu posicionamento. O Bing vai se especializar em algumas áreas de conhecimento do uso cotidiano, ao contrário do Wolfram, como compras, saúde, restaurantes e viagens. Você poderá fazer perguntas (em Inglês) do tipo “câmeras digitais” e ele vai trazer comparativos de preços e funcionalidades, análises de especialistas, especificações, etc. Outros exemplos de consultas são “qual é o próximo vôo para Chicago” ou “qual é o melhor restaurante chinês”.

SiriO Siri por sua vez se posiciona como um assistente virtual. Ele é um aplicativo para o iPhone com capacidades de reconhecimento de voz, que aceita perguntas do tipo “preciso de um taxi” ou “bom restaurante italiano perto de casa”. Neste sentido a sua finalidade guarda alguma semelhança com o Bing, mas em um contexto diferente, pois o usuário pode estar em movimento, tem uma interface limitada para digitação e a sua localização geográfica é importante.

A primeira limitação aparentemente seria o fato das três ferramentas estarem limitadas a certos domínios do conhecimento, como bases de dados estatísticas, tabelas de horários de vôo e listas de endereços. No entanto, esta limitação de certa forma é uma força, pois permite um alto grau de especialização.

A segunda limitação é a completa ausência de referências sobre a disponibilização das ferramentas em outros idiomas. Se não há referências ao francês, alemão e espanhol, quem dirá à nossa bela e inculta língua. Imagino que não seja apenas uma questão de “americanocentrismo” ou “anglocentrismo”, mas que o reconhecimento das questões e fórmulas em diferentes línguas deve ser um belo desafio.

No entanto, não são estas duas limitações que me chamaram a atenção, e agora concluo o raciocínio embutido no título deste post. Basta observar as pessoas à sua volta usando o Google (ou analisar o referrer nos logs do seu website) e você vai concluir que a maioria dos usuários brasileiros usa uma ou duas palavras na busca. A conclusão: nós não sabemos perguntar. A eficiência destas ferramentas depende da capacidade de raciocínio objetivo para elaborar boas questões para obter boas respostas. Saber elaborar boas questões já é importante para pesquisar no Google, tanto mais importante será nesta nova classe de ferramentas.

Obviamente as pessoas que chegaram até este ponto neste post tem capacidade crítica e domínio do idioma (até do Inglês) suficientes para obter bons resultados destas ferramentas. O meu ponto é que, ainda que o idioma não fosse uma barreira, como os usuários de internet de um país que ficou em 49º lugar entre 57 países no teste de leitura do Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) podem usufruir de tal avanço tecnológico? Penso que devemos avançar em duas frentes:

  • Investimentos em Educação! Para que o Brasil realmente possa despontar como um grande criador de tecnologia e fazer um bom uso delas, em lugar de apenas despontar como campeão nos rankings de horas de uso na internet gastas em redes sociais e ferramentas de comunicação, é fundamental aumentar as capacidades de leitura, raciocínio lógico, crítica e cultura geral.
  • Enquanto isso, como nós, criadores de tecnologia, podemos criar mecanismos de inclusão digital para os iletrados? Ferramentas como Siri (obviamente em dispositivos mais baratos do que um iPhone) podem estender os serviços públicos para populações carentes? Como usar estas mesmas ferramentas para colaborar com o item anterior?

Estas questões são pra pensar. Um bom local para este tipo de discussão é o Cliic 2.0. Nos vemos lá!
Atualização:
O Bing foi pro ar hoje. Ao contrário das minhas expectativas, existe sim uma versão em Português, mas recomendo fortemente que você mude o seu local para “United States (English)” para não se frustrar. A versão em Português tem a mesma interface, no entanto se resume a uma versão bonitinha do antigo Live Search (traduzindo, um Google bem piorado), encontrando apenas referências de notícias.

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