Interessante comentário do Marcos Lamberty na lista de salas de cinema 3D (“qual a data da da primeira projeção 3d no brasil e o filme?”) me motivou a escrever este post. Estas são perguntas de várias respostas… Aqui vão as informações que tenho, se alguém tiver alguma correção, por favor envie seu comentário.
Podemos entender esta pergunta como relacionada com esta nova onda do ressurgimento do cinema 3D no Brasil e no Mundo. Neste caso, a resposta seria que a primeira projeção 3D estereoscópico de nova geração foi em 8 de Dezembro de 2006, na sala 9 do Shopping Eldorado (São Paulo), com o filme “A Casa Monstro” (Nota: o filme estreou no Brasil de 1º de Setembro, mas em 2D).

No entanto, muita gente deve se lembrar de ter visto o péssimo “Pequenos Espiões 3D”, certo? Esse filme entrou no circuito brasileiro em 10 de outubro de 2003, com óculos anaglíficos (aqueles azuis e vermelhos) e era somente em algumas cenas do filme, dado o desconforto visual. Veja a linha do tempo de lançamentos de filmes 3D mais recentes. Este filme teve outra sequência pavorosa, estreada no Brasil em 22 de julho de 2005, “As Aventuras de Shark Boy e Lava Girl”, também anaglífico.
E quanto às salas IMAX? A primeira sala IMAX 3D foi inaugurada em 16 de janeiro de 2009 no Shopping Bourbon (São Paulo), e a segunda sala em 23 de julho de 2009 no Palladium Shopping Center (Curitiba). O filme IMAX inaugural foi “Fundo do Mar 3D”.
No entanto, todos já devem ter ouvido falar da onda de filmes 3D dos anos 50. Esta foi a década do lançamento da TV, e as inovações como o Cinemascope e projeções 3D foram tentativas (bem sucedidas) de manter os espectadores frequentando as salas de cinema. Graças ao blog “Salas de Cinema de São Paulo”, encontrei o registro do Cine República, que exibiu em 1953 o filme “Veio de Espaço” em 3ª Dimensão. No mesmo blog, um registro do Cine Opera, dá conta de um anúncio datado de 25/10/1953, do filme “Ticonderoga” (Fort Ti, no original). Não dá para precisar qual dos dois precedeu o outro, mas aparentemente 1953 foi o ano da primeira projeção 3D em terras tupiniquins.

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Seja pelo extremo sucesso do filme Avatar, seja pela iminência do Oscar, o fato é que a velocidade de abertura das salas 3D neste último mês superou todas as expectativas. Há exatamente 1 mês eu havia contabilizado 91 salas em todo o Brasil, após um crescimento de 39 salas em cerca de 8 meses. Pois agora acabo de atualizar a lista de salas 3D e contabilizei 115 salas, ou seja, 24 novas salas 3D em apenas 1 mês!
Alguns dados interessantes:
- São 115 salas 3D (crescimento de 120% em 9 meses), distribuídas em 19 estados e 47 cidades.
- As novas adições: Fortaleza-CE, Guará-DF, Maceió-AL (inaugura em 26/02), Ponta Grossa-PR, Porto Velho-RO, Praia Grande-SP, São Leopoldo-RS e Uberlândia-MG
- Também surpreende a quantidade de novas distribuidoras entrando com salas 3D. De Janeiro pra cá entraram: Centerplex (Maceió e Fortaleza), Cine TAM (SP), Cinemais (Cuiabá, S.J.Rio Preto, Uberlândia e Manaus), Cinesystem (Praia Grande, São Leopoldo, S.J.Campos, Florianópolis, Curitiba, Maringá e Porto Alegre), Dom Bosco (Curitiba), Embracine (Belo Horizonte e DF) e GNC (Porto Alegre)
- Surpreendente o crescimento em algumas cidades. Manaus passou de 1 para 3 salas, Curitiba de 3 para 6 salas (incluindo uma IMAX), Porto Alegre passou de 3 para 5 salas
- A grande surpresa: a inauguração de mais uma sala IMAX, em Curitiba. Curitibanos, aproveitem e vejam Avatar no IMAX, é imperdível!
- Existem algumas pechinchas nas pequenas redes, como ingressos promocionais a R$ 8,00
Além das curiosidades sobre as salas 3D, é interessante notar que dois dos dez filmes concorrendo ao Oscar tiveram projeção em 3D (UP! e Avatar).
Agradeço aos colegas que continuam enviando correções para a lista e me avisando sobre abertura de novas salas.
23:48
Novo filme em 3D: Bolt
Já está em cartaz desde o começo do ano a nova animação da Disney, Bolt. Segundo a estratégia anunciada tanto pela Disney como pela Dreamworks, esta animação tem versões tanto em 2D como em 3D.
Primeiro, alguns comentários sobre o filme. Um desavisado poderia imaginar que o filme é dos estúdios rivais Dreamworks ou Pixar, e não uma produção da Disney. Os diálogos são rápidos, sem “musiquinhas” e as tiradas são bastante “espertas” para levar mesmo os adultos às gargalhadas. A qualidade da animação 3D é excelente. E o roteiro… bem, você não espera um grande roteiro de uma animação, só 1h30 de boa diversão.
Agora falemos sobre a tecnologia 3D. O que mais me agradou foi o uso engenhoso e parcimonioso do 3D. Passados os primeiros minutos você já se envolve na história e se esquece de que o filme está em 3D. Ou seja, o 3D não está ali fazendo tudo saltar da tela, dando sustos e querendo justificar os reais a mais que você pagou pelo ingresso (vide Viagem ao Centro da Terra, onde o 3D é usado de forma ostensiva). Muito pelo contrário, a sensação gerada pelo 3D é de um realismo envolvente e imersivo, sem abusos.
Com a quantidade de lançamentos em cinema, em breve vai haver uma pressão cada vez maior para que estes conteúdos possam ser vistos em casa. Simplificando muito, existem basicamente três tecnologias para levar este tipo de conteúdo para o lar:
- Óculos anaglíficos (azul/vermelho) – como o do DVD da Hannah Montana. A experiência 3D é precária, é uma “gambiarra” que não se aproxima do conteúdo do cinema;
- Óculos polarizados – são semelhantes aos do cinema 3D de hoje em dia, cada lente é polarizada em 45 graus ou circularmente em direções opostas. Devem ser usados dois projetores, ou o monitor ou a TV devem ter camadas adicionais;
- Óculos ativos (shutter) – cada lente é um LCD, que escurecem um olho de cada vez. Como a freqüência é muito alta, você não vê as piscadelas e cada olho recebe uma imagem diferente. No entanto, o cérebro pode se cansar deste efeito estroboscópico, causando desconforto e dor-de-cabeça. Alguns fabricantes de TV estão adotando o padrão da Texas Instruments, o DLP, que vai nesta linha;
- Óculos 3D – parecem aqueles óculos de realidade virtual, com imagens sendo projetadas nas lentes dos óculos. Apesar de parecer interessante, esta tecnologia tem vários problemas: o custo dos óculos, dor-de-cabeça, peso. Alguns fabricantes como a NVidia estão insistindo neste caminho, aparentemente na direção contrária ao resto da indústria;
- Monitores autoestereoscópicos – alguns fabricantes, com destaque para a Philips, apostam em monitores que dispensam o uso de óculos.
Existe uma grande força da indústria na direção dos óculos polarizados, pois a conversão do cinema para os formatos domésticos (isto é, Blueray) seria trivial ou mesmo desnecessária. No entanto este formato não parece ser o melhor para a transmissão em broadcast ou unicast, como na TV a cabo, satélite ou IPTV, pois em princípio demanda o dobro de largura de banda. Os monitores autoestereoscópicos tem a vantagem de economizar bastante em largura de banda, além da vantagem óbvia de dispensarem os óculos. No meu caso particular, que já uso óculos para miopia, o uso de óculos adicionais é um incômodo.
Nesta quinta-feira começa a CES 2009 (Consumer Electronics Show) e praticamente todos os fabricantes da área de video anunciarão novidades na área de vídeo 3D. O que será que vem por aí?