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Ufa, fazia tempo que não conseguia sentar pra escrever alguma coisa que não fosse de trabalho! Continuo cozinhando (hoje fiz um yakissoba caprichado, durante a semana fiz um frango oriental ao gergelim que estava jóia) e lendo (estou terminando o 2666 do Roberto Bolaño, e caçando Ezra Pound nos sebos).
Aqui vai uma dica de passeio legal, que já estava ficando velha. No final de Janeiro fui à reabertura da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.


Pra quem não conhece, vale a visita. Esta é a segunda maior biblioteca do Brasil (são 22 andares!), com um acervo muito bom. É uma pena que a reforma não saiu como era prevista, integrando a biblioteca à Praça da República, e algumas coisas ainda precisam de ajustes. O auditório é acanhado e o ar-condicionado não estava funcionando durante a visita.

A reinauguração coincidiu com o aniversário de São Paulo. Uma ideia muito bacana é o evento “São Paulo: seus povos e suas músicas”, que acontece todos os sábados às 16h no auditório. Serão 11 palestras e shows de músicas típicas das principais colônias de São Paulo: árabes, italianos, portugueses, alemães, japoneses, russos.

Estivemos presentes na primeira delas, a de cultura e música árabe. Depois de suportar uma maçante palestra de quase 1 hora, fomos surpreendidos com a excelente qualidade da apresentação musical do Grupo Sami Bordokan, que tocou várias músicas tradicionais em árabe, galaico e português arcaico, emocionante. Se a qualidade dos próximos eventos for mantida (e se as palestras forem menos maçantes), é um programão!

Continuo cozinhando com bastante freqüência, mas fazia tempo que não postava nada de cozinha aqui no blog.

Um dos livros que estou lendo atualmente é República Gastronômica da China, de Jen Liu-Liu. Uma jovem jornalista norte-americana de origem chinesa se muda para a China em busca das suas origens e se matricula em uma escola de culinária profissional.

O livro é de fácil leitura, pois intercala pequenas passagens do seu dia-a-dia, como a compra de um cutelo, com pequenas receitas tradicionais, formando um entrecho saboroso. As receitas são do jeito que eu gosto: sem formalidades, com medidas imprecisas e muito improviso. A certa altura a professora diz à aluna: “se você quiser mais sabor, coloque mais molho de soja; se quiser menos, coloque menos”. Simples assim, como a cozinha honesta deve ser.

Eu amo o circo, todos eles. Algumas das memórias mais claras que trago da primeira infância é estar no circo com meu pai. Circo na minha infância tinha bicho: leão, elefante, macaco. Tinha show de trapézio, equilibristas na corda, malabares. Tinha palhaço e mágico. Tinha o show da Monga, que a gente nem tinha noção de como era tosco… E só. Era um espetáculo repetido, quem via um circo já tinha visto todos. Mas ainda assim era um lugar mágico – olha o chavão – capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
De uns tempos pra cá o circo teve que se reinventar. A tomada de consciência ecológica fez cair a ficha da crueldade e maus tratos e tirou os animais de cena. A televisão, oferecendo seu entretenimento junk food, tirou a graça da inocência dos palhaços e mágicos. As diversões eletrônicas, as motos, o paintball tiraram a emoção do globo da morte. Em suma, o inusitado, a graça e a emoção se banalizaram e o velho circo morreu senil. Viva o novo circo!
O circo ressurgiu das cinzas, reunindo agora a música, o teatro, a cenografia caprichada. Os circos internacionais, como o Cirque du Soleil ou o Imperial da China, passaram a fazer temporadas anuais aqui nas nossas terras, trazendo muita emoção e suspense (inclusive na hora de comprar os ingressos, pois os preços são de arrepiar os cabelos).
Mas você não precisa ir longe, ou pagar caro, para conhecer o novo circo. Várias trupes locais realizam digníssimos espetáculos, que podem não ter o gigantismo de seus irmãos estrangeiros, mas não ficam a dever em criatividade e emoção. Lá vem o chavão de novo – mais do que nunca o circo é capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
Encerrou-se na semana passada a temporada em São Paulo do Circo Roda Brasil, que ficou por cerca de dois meses no Memorial da América Latina. Ainda é possível prestigiá-lo, em Americana, que está a cerca de duas horas de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes.
Circo Roda Brasil, número com Jumpers - Divulgação
O espetáculo do Roda Brasil é rico em cenários, tem uma trama bem amarrada ao estilo do novo circo, rico em música e efeitos. Alguns números inusitados, que cativam a platéia, foram os Jumpers (um tipo de perna de pau com molas, na foto), um lindo número de capoeira, e incríveis acrobacias com patins em uma minúscula pista de obstáculos.
Outro circo maravilhoso neste mesmo estilo é o Circo Zanni, que se orgulha de ser o menor circo do mundo (a lona realmente é minúscula, mas o espetáculo é “gigantesco”!). O Zanni estará novamente em São Paulo, no mesmo Memorial da América Latina, a partir de 10 de Outubro. Não deixe de prestigiar o circo brasileiro!
(Por sinal, devo fazer um comentário sobre o Memorial. Sempre menosprezei este espaço, tão “frio” e com uma programação insossa. Devo reconhecer que ultimamente tenho frequentado muito o Memorial, e visto atrações muito interessantes: Festival Paulista de Circo, Anima Mundi, Encontro Nacional de Dança, a Festa Boliviana. Parabéns, Memorial. São Paulo merece usar melhor seus espaços públicos).

Sena

Anima Mundi 2009

O Anima Mundi 2009 acabou neste final de semana. Esta edição aconteceu em dois espaços paralelos em São Paulo, mais o Rio de Janeiro. Nós visitamos o espaço do Memorial da América Latina. As oficinas de massinha e desenho 2D estavam concorridíssimas.
Aqui vai o filminho que fizemos minhas duas filhas e eu, mais um casal e uma criança que conhecemos na hora. Uma hora de trabalho para 5 segundos de filme… Mas a experiência foi tão legal que minhas filhas e eu passamos o Domingo em meio às massinhas!

Uma dica legal é o software usado pelo Anima Mundi em todas as oficinas. O MUAN foi concebido pelo Anima Mundi, Festival Internacional de Animação do Brasil, e desenvolvido pelo IMPA, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, com apoio da IBM. O software é gratuito, com código livre e é bem fácil de usar. Detalhe: só roda em Linux.

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