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Na semana passada participei do Lotusphere, o maior evento da IBM voltado para clientes. Neste ano participaram cerca de 7.400 pessoas de todo o mundo. O evento impressiona pela grandiosidade (a palestra de abertura com orquestra e banda de rock ao vivo, com inúmeros telões, para 4.000 pessoas de cada vez), pela organização (três hotéis fechados para o evento, transporte ligando todos hotéis da Disney, refeições pra todo esse batalhão) e pela diversidade (gente normal, gente estranha, os idiomas mais incompreensíveis). Para mais detalhes sobre o evento, veja o blog do Mario Costa ou do Ed Brill, que fizeram excelentes coberturas.

Em lugar de comentar o evento, gostaria de fazer só alguns destaques sobre assuntos que chamaram a minha atenção na semana passada, dentro e fora do evento:

1) iPhone em todo lugar – Todos desejam o iPhone, todos suportam o iPhone. Acessar o Lotus Notes no iPhone vinha causando frenesi já nos dias antecedentes ao evento, o que foi confirmado na apresentação de abertura. Outras duas sessões também tiveram o iPhone como tema, sendo que uma delas apresentou Blogs e Wikis no iPhone. Fora do evento, a procura por iPhones nas lojas foi grande. Assim como os Blackberry’s foram a febre no mundo corporativo nos últimos dois anos, agora os iPhones começam a ser demandados pelos usuários da empresas para os departamentos de TI. Como Tim O’Reilly notou, a Web 2.0 não é mais limitada ao PC. As nossas novas aplicações tem que pensar além dos limites do desktop e da limitação física, considerando novos dispositivos (celulares, TV digital, video-games), mobilidade (conectado, semi-conectado, desconectado), plataformas.

2) Mashups em todo lugar – a IBM anunciou o lançamento do Lotus Mashups, uma ferramenta para criação de mashups para usuários leigos. Mashups são aplicações compostas por dados ou funcionalidades de uma ou mais fontes distintas. As aplicações da Web 2.0 fornecem dados ou interfaces para que você possa reorganizá-los e montar suas próprias aplicações. Veja alguns exemplos de mashups em ProgrammableWeb. Sites como Amazon, Flickr, Google Maps e Youtube exibem seus conteúdos através de APIs, de forma que você possa montar suas aplicações combinando-os com os seus próprios conteúdos e aplicações. Em breve você vai ver o seu banco fornecendo o seu extrato bancário na forma de um serviço web, e você mesmo poderá gerar o seu extrato personalizado e seus gráficos de análise de portfólio.

3) Brasileiros em todo lugar – até parece que a nossa economia está bombando mesmo. A Flórida parece estar se tornando o estado mais setentrional do Brasil. Em algumas lojas de eletrônicos, lotadíssimas, as únicas pessoas que não falavam português eram os vendedores. Não só eletrônicos: Victoria’s Secret, GAP, outlets ou qualquer loja com um cartaz de “Sale” na vitrine se tornaram embaixadas virtuais do Brasil. Uma curiosidade: os poucos americanos que encontrei nas lojas de eletrônicos estavam vendo predominantemente dois produtos: aparelhos de GPS ou rádios por satélite, tipo XM Radio.

4) Wii, bem, esse não achei em nenhum lugar – é impressionante (frustrante seria a palavra): nenhuma loja revela os horários de entrega; há filas na porta das lojas mais famosas na hora da abertura; o Wii Tracker mostra que as lojas vendem os seus estoques de Wii cerca de meia-hora depois de recebê-los. A grande sacada do Wii, todos sabem, é a sua interface com o usuário extremamente engenhosa. Fico me perguntando se, assim como o iPhone, esta interface terá impacto mais amplo em outros sistemas. Já que até o vovô consegue jogar o Wii, será que ele poderá usá-lo para navegar na Web (digamos, no site do seu banco)?

5) TV Digital, é só aqui? – não percebi muito frisson em relação à interatividade da TV Digital nos EUA, nem no evento e tampouco nas lojas de eletrônicos. A previsão é de que os EUA vão transmitir exclusivamente em digital a partir de Abril de 2009. Além dos canais de jogos e TV participativa, existe um grande potencial na TV transacional. O Brasil fez todo aquele alvoroço e só soltou um traque… Enquanto isso, Europa e oriente seguem dominando neste mercado.

Mandem seus comentários! Estou interessado principalmente nas idéias sobre uso da Web 2.0, Mashups e novos dispositivos, como consoles de video-game e TV digital.

Apple iPhoneO iPhone começou a ser vendido na semana passada e a mídia especializada não para de falar nele. Muita gente adoraria colocar as mãos em um deles, e enquanto isso as críticas começam a aparecer, como na última edição da Veja ou na Variety. Para nós, brasileiros, nada feito, pois por enquanto ele está disponível apenas para residentes nos EUA e clientes de uma operadora exclusiva (AT&T/Cingular).

Tal onipresença na mídia confere ao iPhone os contornos de uma bolha. Quanto mais se fala dele, mais as pessoas querem possuí-lo. Ainda que muitos comentários sejam críticos, como os da Veja, o reforço constante na mídia vai mantê-lo no altar dos objetos de desejo por um bom tempo. Falem mal, mas falem de mim.

Não quero chover no molhado falando sobre “o” iPhone. O que me interessa é como ele vai mudar o nosso mercado. Um dos efeitos indiretos é o aumento do mercado de smartphones, pois quem não tem acesso a um pode se sentir atraído por um LG Prada, por exemplo, ainda com a vantagem de poder usar cartões de memória e rodar aplicações J2ME.

Quais são os tipos de aplicações candidatos a ter mais sucesso em um iPhone? O Gartner lançou uma análise sobre o assunto, onde recomenda aos produtores de conteúdo não investir em serviços de música, filmes e vídeo, por competirem frontalmente com o iTunes. A recomendação é focar no lançamento de serviços complementares ao iTunes, fazendo mashups com outras aplicações, e garantindo a compatibilidade com o browser da Apple, o Safari.

O mundo corporativo não deve ser afetado pelo iPhone. As telas touchscreen são o máximo em termos de design, mas não são nada práticas pra teclar um SMS ou um email. Neste quesito um BlackBerry se presta muito melhor ao serviço. A inexplicável ausência de Java e Flash no iPhone também limita a criação de aplicações embarcadas e força os desenvolvedores ao modelo sempre-conectado, browser based, que interessa somente à AT&T.

Voltando ao mundo do entretenimento, quais aplicações Web 2.0 você imagina como complementos ao serviço de filmes e música do iTunes? Sabendo destas restrições, você ainda teria um iPhone?

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