Arquivo do tag 'passeios'

Ufa, fazia tempo que não conseguia sentar pra escrever alguma coisa que não fosse de trabalho! Continuo cozinhando (hoje fiz um yakissoba caprichado, durante a semana fiz um frango oriental ao gergelim que estava jóia) e lendo (estou terminando o 2666 do Roberto Bolaño, e caçando Ezra Pound nos sebos).
Aqui vai uma dica de passeio legal, que já estava ficando velha. No final de Janeiro fui à reabertura da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.


Pra quem não conhece, vale a visita. Esta é a segunda maior biblioteca do Brasil (são 22 andares!), com um acervo muito bom. É uma pena que a reforma não saiu como era prevista, integrando a biblioteca à Praça da República, e algumas coisas ainda precisam de ajustes. O auditório é acanhado e o ar-condicionado não estava funcionando durante a visita.

A reinauguração coincidiu com o aniversário de São Paulo. Uma ideia muito bacana é o evento “São Paulo: seus povos e suas músicas”, que acontece todos os sábados às 16h no auditório. Serão 11 palestras e shows de músicas típicas das principais colônias de São Paulo: árabes, italianos, portugueses, alemães, japoneses, russos.

Estivemos presentes na primeira delas, a de cultura e música árabe. Depois de suportar uma maçante palestra de quase 1 hora, fomos surpreendidos com a excelente qualidade da apresentação musical do Grupo Sami Bordokan, que tocou várias músicas tradicionais em árabe, galaico e português arcaico, emocionante. Se a qualidade dos próximos eventos for mantida (e se as palestras forem menos maçantes), é um programão!

Quarta-feira de Cinzas, dia de deixar os exageros do mundo carnal para trás e se entregar ao espiritual. Melhor ainda, enquanto o Mosteiro de São Bento mantém algumas das suas alas reservadas abertas à visitação pública pela primeira vez, até o dia 21/02.

Um lugar que adoro visitar em São Paulo é o Mosteiro de São Bento, dono de uma arquitetura gótica peculiar. Sempre que falamos em gótico nos vem à mente o estilo francês, que lembra a catedral de Notre Dame (vide a Catedral da Sé), por isso o estranhamento com o estilo quadradão e pesado deste prédio de 1912, que também nada remete ao maravilhoso barroco do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. A visão da igreja é gloriosa, muito escura e obsessivamente quadrada (não bati nenhuma foto por respeito; veja as fotos internas no site do Mosteiro).
A entrada para a exposição fica no portão à esquerda, da Faculdade de São Bento. Lá será possível ver uma exposição de artistas contemporâneos, com temática ligada ao espiritual. As instalações pouco convencionais (tampouco nada polêmicas) de José Spaniol, com nomes sugestivos de Firmamento e Ascensão, valem a pena serem vistas. Será possível ver também a sala ocupada pelo Papa Bento XVI e visitar a sacada de onde ele saudou os fiéis. Imperdível mesmo é a visita à capela, no último andar, que parece instalada em um sótão. O teto baixo e triangular, a atmosfera escura e com vitrais, mais a instalação com lã de vidro e vários livros, graduais e missais abertos dão uma sensação de outro mundo…
Para aproveitar completamente a sua visita, programe-se para visitar a exposição no final de tarde do Domingo, por exemplo, às 15h30. Em cerca de 1h você terá visitado toda a exposição, e poderá então atravessar a rua e provar um delicioso strudel de maçã no Café Girondino, um lugar centenário e muito charmoso localizado no largo de São Bento. Volte às 16h55 para a Igreja do Mosteiro, para acompanhar as Vesperas e ouvir o famoso Canto Gregoriano. Importante: não há Vesperas no Sábado!
Muita gente desavisada fica um pouco perdida nesta celebração, e entende menos ainda quando os monges vão embora sem homilía ou eucaristia. Acontece que as Vesperas não são uma missa, são parte da liturgia diária dos monges. O dia começa com as Matines, ao raiar do dia, continua com as Laudes após o café da manhã, continua com a Tercia (terceira hora após o raiar do dia), a Sexta antes do almoço, a Nona, as Vesperas e termina com as Completas, bem tarde da noite. Entre os períodos de oração os monges trabalham, rezam e estudam. A celebração das Vesperas, além das missas convencionais, são uma das poucas abertas aos leigos como nós, com duração aproximada de 40 minutos.
Aproveite, as portas do mosteiro estarão abertas só até o próximo dia 21/2! (As celebrações na Igreja continuam abertas, como sempre)
Mosteiro de São BentoFaculdade de São BentoViaduto Santa IfigêniaCapelaCapelaCafé GirondinoCafé GirondinoCafé Girondino

Eu amo o circo, todos eles. Algumas das memórias mais claras que trago da primeira infância é estar no circo com meu pai. Circo na minha infância tinha bicho: leão, elefante, macaco. Tinha show de trapézio, equilibristas na corda, malabares. Tinha palhaço e mágico. Tinha o show da Monga, que a gente nem tinha noção de como era tosco… E só. Era um espetáculo repetido, quem via um circo já tinha visto todos. Mas ainda assim era um lugar mágico – olha o chavão – capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
De uns tempos pra cá o circo teve que se reinventar. A tomada de consciência ecológica fez cair a ficha da crueldade e maus tratos e tirou os animais de cena. A televisão, oferecendo seu entretenimento junk food, tirou a graça da inocência dos palhaços e mágicos. As diversões eletrônicas, as motos, o paintball tiraram a emoção do globo da morte. Em suma, o inusitado, a graça e a emoção se banalizaram e o velho circo morreu senil. Viva o novo circo!
O circo ressurgiu das cinzas, reunindo agora a música, o teatro, a cenografia caprichada. Os circos internacionais, como o Cirque du Soleil ou o Imperial da China, passaram a fazer temporadas anuais aqui nas nossas terras, trazendo muita emoção e suspense (inclusive na hora de comprar os ingressos, pois os preços são de arrepiar os cabelos).
Mas você não precisa ir longe, ou pagar caro, para conhecer o novo circo. Várias trupes locais realizam digníssimos espetáculos, que podem não ter o gigantismo de seus irmãos estrangeiros, mas não ficam a dever em criatividade e emoção. Lá vem o chavão de novo – mais do que nunca o circo é capaz de transformar adultos em crianças por um momento.
Encerrou-se na semana passada a temporada em São Paulo do Circo Roda Brasil, que ficou por cerca de dois meses no Memorial da América Latina. Ainda é possível prestigiá-lo, em Americana, que está a cerca de duas horas de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes.
Circo Roda Brasil, número com Jumpers - Divulgação
O espetáculo do Roda Brasil é rico em cenários, tem uma trama bem amarrada ao estilo do novo circo, rico em música e efeitos. Alguns números inusitados, que cativam a platéia, foram os Jumpers (um tipo de perna de pau com molas, na foto), um lindo número de capoeira, e incríveis acrobacias com patins em uma minúscula pista de obstáculos.
Outro circo maravilhoso neste mesmo estilo é o Circo Zanni, que se orgulha de ser o menor circo do mundo (a lona realmente é minúscula, mas o espetáculo é “gigantesco”!). O Zanni estará novamente em São Paulo, no mesmo Memorial da América Latina, a partir de 10 de Outubro. Não deixe de prestigiar o circo brasileiro!
(Por sinal, devo fazer um comentário sobre o Memorial. Sempre menosprezei este espaço, tão “frio” e com uma programação insossa. Devo reconhecer que ultimamente tenho frequentado muito o Memorial, e visto atrações muito interessantes: Festival Paulista de Circo, Anima Mundi, Encontro Nacional de Dança, a Festa Boliviana. Parabéns, Memorial. São Paulo merece usar melhor seus espaços públicos).

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes