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Mosteiro de São Bento por dentro
Quarta-feira de Cinzas, dia de deixar os exageros do mundo carnal para trás e se entregar ao espiritual. Melhor ainda, enquanto o Mosteiro de São Bento mantém algumas das suas alas reservadas abertas à visitação pública pela primeira vez, até o dia 21/02.

Um lugar que adoro visitar em São Paulo é o Mosteiro de São Bento, dono de uma arquitetura gótica peculiar. Sempre que falamos em gótico nos vem à mente o estilo francês, que lembra a catedral de Notre Dame (vide a Catedral da Sé), por isso o estranhamento com o estilo quadradão e pesado deste prédio de 1912, que também nada remete ao maravilhoso barroco do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. A visão da igreja é gloriosa, muito escura e obsessivamente quadrada (não bati nenhuma foto por respeito; veja as fotos internas no site do Mosteiro).
A entrada para a exposição fica no portão à esquerda, da Faculdade de São Bento. Lá será possível ver uma exposição de artistas contemporâneos, com temática ligada ao espiritual. As instalações pouco convencionais (tampouco nada polêmicas) de José Spaniol, com nomes sugestivos de Firmamento e Ascensão, valem a pena serem vistas. Será possível ver também a sala ocupada pelo Papa Bento XVI e visitar a sacada de onde ele saudou os fiéis. Imperdível mesmo é a visita à capela, no último andar, que parece instalada em um sótão. O teto baixo e triangular, a atmosfera escura e com vitrais, mais a instalação com lã de vidro e vários livros, graduais e missais abertos dão uma sensação de outro mundo…
Para aproveitar completamente a sua visita, programe-se para visitar a exposição no final de tarde do Domingo, por exemplo, às 15h30. Em cerca de 1h você terá visitado toda a exposição, e poderá então atravessar a rua e provar um delicioso strudel de maçã no Café Girondino, um lugar centenário e muito charmoso localizado no largo de São Bento. Volte às 16h55 para a Igreja do Mosteiro, para acompanhar as Vesperas e ouvir o famoso Canto Gregoriano. Importante: não há Vesperas no Sábado!
Muita gente desavisada fica um pouco perdida nesta celebração, e entende menos ainda quando os monges vão embora sem homilía ou eucaristia. Acontece que as Vesperas não são uma missa, são parte da liturgia diária dos monges. O dia começa com as Matines, ao raiar do dia, continua com as Laudes após o café da manhã, continua com a Tercia (terceira hora após o raiar do dia), a Sexta antes do almoço, a Nona, as Vesperas e termina com as Completas, bem tarde da noite. Entre os períodos de oração os monges trabalham, rezam e estudam. A celebração das Vesperas, além das missas convencionais, são uma das poucas abertas aos leigos como nós, com duração aproximada de 40 minutos.
Aproveite, as portas do mosteiro estarão abertas só até o próximo dia 21/2! (As celebrações na Igreja continuam abertas, como sempre)
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