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Nessa época do ano todo mundo faz previsões e listas. Um dia desses eu vi uma lista das 10 tecnologias que vão micar em 2009

Não tenho pretensão de esfregar minha bola de cristal e fazer uma lista de tendências. Estas são as tecnologias que eu vou vigiar de perto em 2009, principalmente porque estarei envolvido nelas de alguma forma:

  • TV em 3D – para viabilizar esta tecnologia são necessárias três partes:
    • Conteúdos – Existe uma grande onda de filmes 3D sendo produzidos para o cinema. A lógica aqui é o preço maior do ingresso por causa da novidade. Mas o que fazer com os filmes depois que eles saem da janela de programação do cinema? A viabilidade comercial vem com a exploração completa da cadeia cinema-locação-compra-broadcast
    • Dispositivo – Já existem aparelhos de TV 3D de vários fabricantes. Atualmente todos estes aparelhos estão dedicados ao mercado de digital signage, aqueles displays de publicidade indoor que vemos nos shoppings (se você quiser ver um deles funcionando, confira a vitrine da loja do São Paulo/Reebok no Shopping Pátio Paulista). Quando os preços começarem a cair e as duas outras partes faltantes estiverem resolvidas, haverá um grande mercado doméstico para a venda de TVs
    • Acesso – Já existem experiências de DVDs com anaglifos (aquelas imagens desfocadas que são vistas com os óculos anaglíficos, azuis ou verdes e vermelhos), apesar da qualidade ainda ser ruim. No entanto, a venda de DVDs é apenas um dos elos da cadeia da indústria cinematográfica. Um dia os filmes tem que chegar à locação ou ao pay-per-view, e depois ao lineup. Para isso precisamos resolver o problema de codificar e levar estas imagens para a casa das pessoas. É aqui que eu entro!
  • TV widgets – Internet na TV, de novo?!? você deve estar se perguntando. Você deve estar se lembrando de alguns monstrengos que foram criados, como a TV com teclado e mouse, e que chegou a ser vendida (sem sucesso, é claro) no Brasil. Oras, sofá não é lugar de teclado e mouse! A nova tentativa de convergir a Internet com a TV são os TV widgets. Os widgets se parecem com os gadgets de PC ou os aplicativos do iPhone: tem uma funcionalidade simples, limitada, focada e muito bem feita. Ou seja, não se trata de abrir um browser na TV, mas de oferecer pequenas e úteis aplicações para que ele desfrute
  • IPTV – Finalmente, o IPTV vem aí. Mas que vantagem pode esperar o usuário? Quais são as aplicações que vão sacar o máximo proveito da convergência da TV com a tecnologia IP? Ou vamos ficar limitados apenas ao video-on-demand (que já é um fantástico benefício, que fique claro)?
  • Plataformas abertas para celular – o Android é só o começo, vem aí o LiMo e muito mais. Não se trata apenas de mais um toolkit para desenvolver aplicativos para celular, pois aquele dispositivo deixa de ser apenas um celular, ele se torna um hardware multifunção. Você vai poder escrever toda a interface do seu aplicativo, e ele pode ser algo totalmente novo. Você não gosta da interface que o seu fabricante criou? Você precisa desenvolver uma aplicação que precisa rodar em um computador pequeno, móvel e conectado o tempo todo? As possibilidades são grandes.

Certamente 2009 é um ano de grandes promessas. O nosso papel é torná-las cada vez mais próximas da realidade!

Um Feliz 2009 para todos!

Sena

A Bolha dos Widgets

Widgets, widgets, widgets. Widgets em toda parte. Será uma bolha?



RockYou FXText

O que é um widget afinal? Pode ser algo tão inútil quanto a simpática canequinha acima, ou um aplicativo que realmente faça sentido no contexto do seu site. O widget pode ser um “enfeite” para o seu blog ou a sua rede social (como a canequinha), mas também poderia ser um simulador de empréstimos de um banco em um site de educação financeira. Como em tudo na vida, é possível encontrar bons e maus exemplos de widgets, uns mais e outros menos úteis.

O que não me convence é querer transformar os widgets em uma ferramenta de “marketing viral”. Empresas investindo pesado para criar widgets com jogos e efeitos criativos, visando fixar a marca e esperando que as pessoas espalhem o widget para as outras. Só existe um problema, muito bem observado no artigo de Ben Kunz na BusinessWeek de 3/03: em uma rede social as pessoas estão “fazendo coisas”, estão construindo o site, estão interagindo, estão colaborando. É muito provável que alguém até coloque o seu widget na sua página como uma decoração, mas não mais do que isso. O modelo mental das pessoas interagindo com uma página de um site social é muito diferente daquele modelo mental de quem está pesquisando no Google ou acessando um site de notícias. O resultado pode ser um recall baixo.

Penso que parte desta expectativa inflada gerou o efeito de super-valorização das empresas que criam widgets. O que mais explica que empresas de fundo-de-quintal, como a RockYou, passem a valer milhões de dólares depois de produzir quatro ferramentas de slide-shows de fotos para páginas de redes sociais? Não quero desmerecer o trabalho técnico, que é realmente muito bom, mas simplesmente acho que não valem.

Apesar do efeito nefasto de bolha, que inevitavelmente vai provocar perdas para alguns em breve, a onda dos widgets vem causando uma quebra de paradigma na construção de páginas. Somado ao conceito de mashups, este tipo de tecnologia vai permitir cada vez mais que o próprio usuário tome controle do conteúdo que ele quer consumir e vai mudar radicalmente a nossa relação com o conteúdo. Enquanto isso, acompanho com interesse a evolução do OpenSocial.

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